PP e União Brasil se comprometem a aderir à obstrução do PL para pautar a anistia
Acordo foi firmado em reunião realizada durante a noite, mas obstrução será regimental. Deputados criticaram atuação do PL
Lideranças do PP e do União Brasil ameaçaram abandonar a coalizão para obstruir, regimentalmente, a Câmara dos Deputados caso parlamentares bolsonaristas insistissem em manter a ocupação da Mesa Diretora da Casa.
A movimentação ocorreu na noite desta quarta-feira (6), durante reunião que permitiu a retomada dos trabalhos no plenário, após quase dois dias de impasse.
Como registramos, integrantes da oposição ao governo Lula se inspiraram no Movimento Sem Terra (MST) e em resposta à prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro ocuparam, nesta terça-feira, cinco lugares da Mesa Diretora da Câmara. Desde então, eles impediram a retomada dos trabalhos parlamentares.
Conforme apurou O Antagonista, a articulação foi conduzida pelo líder do PP, deputado Dr. Luizinho (RJ), e pelo ex-líder do União Brasil Elmar Nascimento (BA), ambos aliados do ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), que também participou das negociações. Os três atuaram como fiadores do atual comandante da Casa, Hugo Motta (Republicanos).
A sessão desta quarta estava prevista para ser retomada às 20h30, mas só foi aberta por volta das 22h30. Nem mesmo a ameaça feita por Motta de suspender os mandatos dos deputados que participaram do motim foi o suficiente para que eles desistissem da ocupação da Mesa Diretora.
Durante as conversas, PP e União Brasil se comprometeram a integrar a obstrução ao lado do PL, comandado por Sóstenes Cavalcante (RJ). Inicialmente, Cavalcante considerou o acordo insuficiente, mas acabou reconhecendo a importância do apoio das duas siglas.
Juntos, os três partidos somam cerca de 200 deputados — o PL com 87, o PP com 51 e o União Brasil com 59. A articulação conjunta prevê obstrução regimental até que a presidência da Câmara paute propostas de interesse da base bolsonarista na Casa. Entre elas estão a “anistia ampla, geral e irrestrita” a envolvidos nos atos de 8 de janeiro e o fim do foro especial por prerrogativa de função.
Na reunião, não houve comprometimento com a pauta, mas os deputados aliados de Jair Bolsonaro foram às redes sociais afirmar que a anistia será pautada na semana que vem. Motta não se comprometeu, ao menos por enquanto, em pautar o tema.
Também há expectativa de que o grupo pressione pela votação da proposta de emenda à Constituição que restringe decisões monocráticas no Supremo Tribunal Federal (STF), parada desde 2023. A PEC tem apoio de setores do Centrão.
Apesar do acordo, houve resistências. O deputado Marcel Van Hattem (Novo-RS) se recusou a liberar sua cadeira na Mesa para Hugo Motta. Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL-SP) também discordou dos termos.
Ao abrir a sessão, Motta criticou os métodos da oposição. “Não será na base da agressão que distensionaremos a relação entre Legislativo e Judiciário. O que ocorreu aqui hoje não foi bom para esta Casa. A oposição tem todo o direito de se manifestar, mas dentro do regimento”, afirmou.
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