Os bastidores de uma rasteira no governo Lula

07.03.2026

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Os bastidores de uma rasteira no governo Lula

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Rodolfo Borges
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Wilson Lima
6 minutos de leitura 27.08.2025 15:40 comentários
Brasil

Os bastidores de uma rasteira no governo Lula

Segundo Sóstenes, o governador Tarcísio de Freitas também participou da articulação para eleger Carlos Viana como presidente da CPMI do INSS

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Os bastidores de uma rasteira no governo Lula
Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

O governo Lula comeu mosca e perdeu a presidência e a relatoria da CPMI do INSS (foto), que começou os trabalhos, nesta semana, convocando ministros e ex-presidentes do INSS para começar a investigar os descontos não autorizados em pensões de aposentados, que cresceram muito no governo petista.

O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), contou no programa Meio-Dia em Brasília desta quarta-feira, 27, como liderou a estratégia da oposição para reverter uma derrota que parecia certa o senador Omar Aziz (PSD-AM) já dava entrevistas como presidente da CPMI, mas acabou derrotado pelo colega Carlos Viana (Podemos-MG).

“Eu fui chamado na sala da liderança do PL pelos deputados indicados para a CPMI. Eles me chamaram para pedir conselhos: ‘Você tem mais mandatos que a gente, qual conselho?’ Eu fui para a reunião muito desanimado. Era 8h30 da noite no dia anterior [à instalação da comissão], falei: ‘Olha, honestamente, já está jogo jogado, isso vai terminar em pizza. Fui muito desanimado”, contou Sóstenes.

Zé Trovão

Segundo o líder do PL, foi o deputado Zé Trovão (PL-SC, à direita na foto) que mexeu com seus brios.

“Ele é membro da CPMI e falou: ‘Sóstenes, você é pastor. Você está pior do que Tomé, você não acredita em algum milagre?’ Eu falei: ‘Meu amigo, neste caso só milagre, porque eu conheço esta Casa, eu conheço CPMI, eu já participei de três CPIs do meu primeiro mandato, não quero mais participar de CPI, eu sou candidato a legislador, não sou candidato a juiz nem promotor.'”, contou o deputado, seguindo:

“Naquela conversa, eu entendi que poderia. ‘Deus está dando uma chance de usar o Zé Trovão para me chamar atenção, para algo que eu não tinha observado’. Nisso, eu pedi a meu chefe de gabinete que me trouxesse a composição da CPMI, e, aí, eu comecei ver as pessoas e mapear votos. Identifiquei que a gente tinha uma chance, a única chance era lançar uma candidatura avulsa que fosse competitiva para ganhar. Saí dali e falei: ‘Vocês confiam em mim? Eu não vou falar o que vou fazer, porque conversa de político, para dois, já vaza para a imprensa’.”

Silêncio

Sóstenes disse que seu plano não podia vazar, porque, senão, “o governo ia se articular do outro lado e a gente não ia ganhar”.

“Governo não dá para subestimar, força de governo, de emendas, de cargos, eles têm tudo para fazer. E eu, calado, saí daqui. Fui num jantar na casa de um amigo que a gente tem em comum com o senador Carlos Viana, que é meu amigo pessoal, e mostrei para ele a possibilidade que a gente tinha. Falei: ‘Olha, a gente tem que agir calado. Você tem que chegar lá amanhã, às 11h, e protocolar sua candidatura.'”, contou o deputado.

Sóstenes disse que não contava com a ausência de alguns governistas na sessão de instalação da CPMI, como Mário Heringer (PDT-MG) e Rafael Brito (MDB-AL). Os dois foram substituídos por parlamentares do PL na votação que elegeu Viana presidente da CPMI do INSS por 17 votos a 14.

Versão do governo

Líder do governo Lula no Congresso Nacional, o senador Randolfe Rodrigues (PT-AC) atribuiu a derrota à ausência dos governistas.

“No diálogo que tínhamos tido com os líderes da Câmara, tivemos as indicações. Nós não podíamos contar, por exemplo, que um dos indicados, o deputado Rafael [Brito], do MDB, estava fora do Brasil, ele não estava aqui, e o primeiro suplente que ascendeu é o suplente da Câmara, é uma das circunstâncias do regimento”, disse Randolfe.

Segundo ele,“os três primeiros suplentes são do PL” e “foram esses três primeiros suplentes, da Câmara, que ascenderam, e que fizeram a diferença no voto“.

Sóstenes alega que não foi isso que fez a diferença.

“Não contávamos com essas ausências, e, se eles estivessem presentes, não iam tirar os nossos votos, porque, no bloco, nós íamos ganhar por quatro votos independentes. Esse cálculo que eles estão fazendo é errado. Se você pegar os votos do bloco, você vai entender: a gente ia ganhar de quatro votos. Não ganhamos porque do bloco do Avante e Solidariedade não foi nenhum titular e nem suplente votar. E o Carlos Viana disse que o titular do Avante era do estado dele, que ele ia conseguir esse voto. Então, a gente ganhava por quatro, a gente já sabia um dia antes. A conta que o governo está fazendo está toda errada, eles estão com dificuldade até para fazer número”, disse o líder do PL.

Tarcísio

Segundo o líder do PL, “o plano só vazou para a imprensa 20 minutos antes de a sessão começar”.

“O Carlos Viana me liga: ‘Olha, está toda imprensa na minha porta, já descobriu’. Falei: ‘Então, vai, protocola, que falta 20 minutos’. Articulamos eu, Rogério Marinho, com os presidentes de partido, Ciro Nogueira [do PP], [Antonio] Rueda [do União Brasil]. O governador Tarcísio [de Freitas, de São Paulo] ajudou nessa articulação também, e nós conseguimos não deixar vazar o assunto e chegar ali, em cima da hora”, contou Sóstenes.

Foi Rueda, cujo União deve antecipar o desembarque do governo Lula, que autorizou a indicação para a CPMI de Alfredo Gaspar (União-AL), que acabou virando o relator da comissão, em vez do governista por que Randolfe aguardava.

“A gente conseguiu uma vitória para o Brasil, porque a pior coisa seria uma CPMI para não investigar ou para investigar e querer colocar a culpa só no Bolsonaro, por exemplo, que era uma intenção deles. E, aqui, nós não estamos fazendo CPMI para colocar culpa neste ou naquele governo. Roubo dos aposentados existe já, para mim, há 20 anos no Brasil. Já teve uma CPMI lá no passado, não resolveu o problema. Espero que essa CPMI seja séria, resolva o problema e que parem finalmente de roubar os aposentados brasileiros”, finalizou o líder do PL.

Assista à entrevista:

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Rodolfo Borges

Rodolfo Borges é jornalista formado pela Universidade de Brasília (UnB). Trabalhou em veículos como Correio Braziliense, Istoé Dinheiro, portal R7 e El País Brasil.

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Wilson Lima

Wilson Lima é jornalista formado pela Universidade Federal do Maranhão. Trabalhou em veículos como Agência Estado, Portal iG, Congresso em Foco, Gazeta do Povo e IstoÉ. Acompanha o poder em Brasília desde 2012, tendo participado das coberturas do julgamento do mensalão, da operação Lava Jato e do impeachment de Dilma Rousseff. Em 2019, revelou a compra de lagostas por ministros do STF.

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Comentários (2)

Junior

28.08.2025 05:42

Infelizmente é só palanque político,


F-35- Hellfire

27.08.2025 21:06

Os ladrões deverão ser julgados condenados e presos, seja frei, seja irmão do presidente, seja lá quem for. Deus ajude o Brasil a se livrar do PT, esse câncer que persegue o progresso e desenvolvimento do Brasil.


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