Opositor é expulso de vigília a Bolsonaro após discurso: “Abriu 700 mil covas”
Homem entrou de penetra no ato e defendeu que ex-presidente da República "seja condenado e responda pelos crimes que cometeu"
Um opositor de Jair Bolsonaro (PL) entrou de penetra neste sábado, 22, na vigília pela “saúde” do ex-presidente e pela “liberdade no Brasil”, convocada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), em Brasília, e fez um discurso crítico ao político preso preventivamente. No meio da fala, ele foi interrompido pelos apoiadores de Jair que participavam do ato e foi expulso.
“Nós temos orado por justiça neste país, nós temos orado para que aqueles que abrem covas caiam nelas não mortos, porque não é isso que a gente deseja. A gente deseja que sejam julgados e condenados pelo mal que fizeram. Como o seu pai, que abriu 700 mil covas durante a pandemia“, falou o opositor com um microfone, se dirigindo a Flávio.
“Seja julgado pelo devido processo legal, tenha o seu direito de defesa, mas que seja condenado e responda pelos crimes que cometeu. Assim como todos os aliados que compuseram essa horda de mal contra o nosso Estado“, acrescentou, sendo interrompido. Um apoiador de Jair retirou o microfone de sua mão.
Durante a expulsão, o opositor foi empurrado e levou soco e chute. Na vigília, apoiadores de Jair oraram ao redor de um boneco de papelão com a imagem do político.
A prisão
O ex-presidente foi preso preventivamente neste sábado. Ele foi levado para a Superintendência da Polícia Federal, sob justificativa de garantia da ordem pública. O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, atribuiu a decisão de prender preventivamente Bolsonaro à vigília convocada pelo Flávio. O magistrado também citou violação da tornozeleira eletrônica.
Após ser levado, Bolsonaro pediu a Moraes, por meio de seus advogados, autorização para ser visitado por sua esposa, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, e seus filhos na Superintendência da PF. Por enquanto, não há decisão.
Em vídeo publicado hoje no Instagram, Michelle disse que há uma “guerra espiritual” no Brasil e que estão tentando calar o ex-presidente, mas que ele “levantou um exército“. A ex-primeira-dama não estava na residência no momento em que Bolsonaro foi preso, mas sim no Ceará.
“Chegamos aqui pra nossa reunião de liderança, fizemos uma reunião linda com as nossas líderes, mulheres de bem que vão transformar a nossa nação. E hoje cedo, recebi a ligação, seis horas da manhã, que a polícia estava em minha casa pra conduzir o meu marido, o nosso líder, a maior voz da direita no país, aquele homem que Deus levantou pra cuidar da nossa nação, estava sendo conduzido até a Polícia Federal”, pontua a ex-primeira-dama, no início da gravação.
“Nós estamos vivendo dias difíceis, mas nós estamos de pé, estamos resilientes, crendo em Deus que tudo vai se resolver, porque Deus não perdeu o controle de nada. O sol da justiça vai brilhar no Brasil. É assim que nós cremos. Nós estamos aqui por um milagre. Deus nos resgatou. Deus fez um milagre em 2018, quando aquela facada [contra Jair] era para morte, e o Senhor fez um milagre na vida dele. E nós cremos que nós estamos cumprindo uma missão”.
Michelle ressalta que não é um momento fácil. “Meu coração está com meu marido, com a minha filha, que sofre tanto por tanta injustiça. Eles quiseram calar voz do meu marido em 2018, estão tentando calar a voz dele agora, mas ele levantou um exército. Ele deu voz a um, um exército de pessoas de bem da nossa nação que se reergueram, que amam o Brasil, que entende que a nação tem promessas do Senhor e que elas vão se cumprir”, afirma.
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Comentários (8)
Maglu Oliveira
23.11.2025 12:40Esses bolsonaristas são mesmo gente estranha: quando não oram pra pneu oram pra boneco de papelão. Daqui a pouco vão estar rezando como a falsa evangélica que fala esgoelando, fechando os olhos, parece mais umbandista recebendo santo.
Márcio Roberto Jorcovix
23.11.2025 12:12Também é verdade que se fizesse a mesma coisa em evento de petistas esta pessoa estaria embaixo de sete palmos de tanta porrada que iria levar.
Márcio Roberto Jorcovix
23.11.2025 11:46Este é homem com H maiúsculo. Fazer Isto no meio deste monte de fanáticos aloprados. Seja de esquerda ou não é muito corajoso
ALDO FERREIRA DE MORAES ARAUJO
23.11.2025 10:49Se Bolsonaro tivesse feito um governo minimamente normal, "feijão com arroz" mesmo, e se nosso povo soubesse votar, o Lulalau e quadrilha não estariam no poder. Bolsonaro não era ninguém até 2016, apenas um deputado saudosista do regime militar (e um "mau militar", segundo o ex-presidente Ernesto Geisel em entrevista). O povo o elegeu quando havia opções bem melhores e deu no que deu. Não creio no equilíbrio emocional/psicolágico do presidente, há sinais de paranoia inclusive. Em vista das constantes ações de Bolsonaro na presidência, o que faz o povo? Reelege o maior corrupto que essa pátria já pariu e o coloca novamente em Brasília com toda a quadrilha. O brasileiro não sabe sair da bost... sem voltar à merd...
Denise Pereira da Silva
23.11.2025 10:29Família de hipócritas e salafrários. Não se salva um.
MARCEL SILVIO HIRSCH
23.11.2025 09:15Endosso as palavras de Marcia Elizabeth Brunetti "Não tenho dúvidas de que esse homem foi corajoso. Se não é um esquerdalha, luloafetivo mas um brasileiro honesto e trabalhador, eu estou com ele."
Fabio B
23.11.2025 07:55Algo nessa história só mostra como o déjà-vu político brasileiro é triste e vexaminoso. Trocaram as camisas, mas o espetáculo é o mesmo: gente montando vigília como se fosse romaria, rezando por político ladrão e patético como se fosse santo de devoção. Ontem foi com o Lula, hoje é com o Bolsonaro. A diferença é que, pelo menos, nos acampamentos do MST, aquela cambada era patrocinada. Acho mais digno, pois não foi por burrice ou fanatismo gratuito, como esses acéfalos bolsonaristas. E não, ser um burro ingênuo não é mais digno do que ser um mercenário safado.
Marcia Elizabeth Brunetti
23.11.2025 07:47Não tenho dúvidas de que esse homem foi corajoso. Se não é um esquerdalha, luloafetivo mas um brasileiro honesto e trabalhador eu estou com ele.