Oposição quer período de transição para fim da escala 6×1
O deputado Cabo Gilberto Silva disse que a ideia é incluir na Proposta de Emenda à Constituição uma transição de 6 a 10 anos
O líder da oposição na Câmara dos Deputados, Cabo Gilberto Silva (PL-PB), disse nesta quarta-fera, 13, que o grupo não aceita o projeto de lei do governo que acaba com a escala de seis dias de trabalho por um dia de descanso e está conversando com o relator da PEC que prevê a mesma medida para incluir nela um período de transição.
“A gente não aceita a proposta do governo [projeto de lei]. É jogar para a galera. Se é tão fácil resolver isso, porque não foi resolvido antes? A gente está falando e debatendo, como liderança da oposição, com o relator”, declarou o congressistas, em café com jornalistas.
“Ele está bem propício a aceitar algumas propostas com relação a transição, que é fundamental, para que possamos vencer essa etapa e entregar um texto responsável, um texto justo ao Brasil, que não prejudique os trabalhadores e não prejudique o setor produtivo. Porque se assim não fizer, e aprovar do jeito que Lula quer, amanhã vai ser uma demissão em massa”.
Para Gilberto Silva, o relator da Proposta de Emenda à Constituição – Leo Prates (Republicanos-BA) – é muito pragmático e está atendendo bem a oposição. “Eu creio que vamos chegar a um texto justo”, pontuou.
Segundo ele, a ideia é que se tenha uma transição de 6 a 10 anos para o fim da escala 6×1. “A gente está trabalhando nesse sentido aí. Pode ser menos, um pouco mais”, ressaltou.
A PEC, que é de autotia da deputada Erika Hilton (Psol-SP), está tramitando em uma comissão especial. A previsão é que o colegiado e o plenário da Câmara votem ela até o final deste mês. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), defende o avanço do texto, que tem amplo apoio na população.
“Taxa das blusinhas”
Ainda no café, Gilberto Silva disse, em resposta a pergunta feita por O Antagonista, que a revogação da “taxa das blusinhas“ não vai melhorar a popularidade do presidente Lula (PT). O parlamentar argumenta que a população perceberá que o mesmo governo que implementou a taxa está revogando ela agora, num ano eleitoral.
“De forma alguma, não acredito [que melhorará a popularidade]. Não acredito, justamente por causa disso [a população vai perceber a estratégia]. Por isso que o Lula queria censurar as redes sociais desde o início do primeiro mandato. Porque ele queria continuar mentindo. Se não tivesse redes sociais, não seria mais difícil para a gente fazer esse contraponto? Seria mais difícil. Ele ficaria nadando de braçada”, declarou o deputado.
“Por isso que nos primeiros mandatos dele ele mentiu com força e não tinha aquele contraponto pesado como tem hoje. Olha como é fácil: é só você pegar ‘Lula candidato’ versus ‘Lula presidente’, é a mesma pessoa. Esse aqui diz que é para taxar o povo. Aí, no ano eleitoral, esse aqui que é candidato diz ‘não, vamos tirar a taxa do povo’. Olha como é fácil. Então, a população já entendeu o jogo”.
Gilberto Silva prosseguiu: “Sabe que se Lula vencer as eleições, tiver um quarto mandato, que é um produto vencido, eu não falo isso pela idade, eu falo isso pelo que ele não tem mais a oferecer ao povo brasileiro, vai ser três anos de taxar de novo o povo. Porque quando chegar no último ano, ele vai querer fazer essas bondades novamente. Então, tenha certeza que Lula é um produto vencido. Isso daí não vai mudar em nada a popularidade dele. Acompanhe as próximas pesquisas“.
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