“O tarifaço vai destruir quem alimenta o Brasil”
Ex-governador criticou pedido de Flávio Bolsonaro para que os EUA adiem a aplicação das tarifas até depois das eleições
O ex-governador de Goiás e pré-candidato à Presidência Ronaldo Caiado (PSD) afirmou nesta quarta, 15, que a possível aplicação de novas tarifas dos Estados Unidos ao Brasil poderá “destruir quem alimenta” o país.
“Ninguém fala sobre isso. China taxa nossa carne em 55%. UE vetou a carne brasileira. EUA vão taxar em 25%. Três ataques ao agro e zero resposta do governo, só cuidados paliativos. Em Goiás, sem subsídio, sem discurso, viramos o maior produtor de etanol de milho do país. Isso é gestão!”, escreveu no X.
Caiado também criticou o senador Flávio Bolsonaro (PL), afirmando que ele foi aos Estados Unidos para “implorar” ao presidente americano, Donald Trump, que adiasse o tarifaço para depois das eleições, e não para que a medida fosse cancelada.
“Para ele, o agro pode quebrar, desde que depois do voto. Minha proposta é reciprocidade de verdade. Mercado aberto dos dois lados, não vassalagem. O Brasil tem o que o mundo precisa: comida, energia limpa, minerais estratégicos. Chega de negociar de joelhos”, concluiu.
Segundo o g1, o governo dos Estados Unidos informou ao governo brasileiro que a decisão sobre a aplicação das novas tarifas deverá ser anunciada ainda na tarde desta quarta-feira.,
Governo prepara resposta
Ministros do governo Lula devem propor ao presidente a adoção de medidas de retaliação comercial contra os Estados Unidos, caso a Casa Branca confirme novas tarifas sobre produtos brasileiros.
A informação foi dada na terça-feira, 14, pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, após reunião entre autoridades brasileiras e americanas que não alterou as expectativas do Palácio do Planalto.
Lei de 2025 permite retaliação
Uma legislação aprovada pelo Congresso Nacional em 2025 autoriza o Executivo brasileiro a aplicar sobretaxas de importação, suspender acordos comerciais e, em situações excepcionais, restringir patentes e royalties como resposta a medidas que prejudiquem a economia nacional.
Durigan disse que “o processo de reciprocidade foi iniciado no passado. A gente chegou a suspender a tramitação, seguindo a lei do Congresso Nacional, quando houve uma espécie de volta atrás do tarifaço. Com isso agora, acho que é provável que a gente, uma vez consultado o presidente Lula, retome o processo de reciprocidade”.
A expectativa no entorno presidencial é a de que os americanos apliquem uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. A mesma estratégia de reciprocidade já havia sido cogitada em 2025, durante a primeira rodada de tarifas impostas por Trump, mas acabou não sendo colocada em prática.
Prevaleceu à época a avaliação de que taxar bens americanos elevaria a inflação doméstica e reduziria a competitividade da indústria nacional, que depende de insumos importados dos Estados Unidos.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)