O plano de São Paulo para reduzir mortes no trânsito
Iniciativa busca cortar pela metade o número de óbitos em vias até 2030, projetando economia de R$ 12 bilhões e alinhamento a metas globais
O governo do Estado de São Paulo, por meio de uma colaboração interinstitucional entre o Detran-SP, DER-SP e as secretarias de Estado, introduziu seu primeiro Plano de Segurança Viária (PSV-SP) neste mês de setembro, durante a Semana Nacional do Trânsito.
A pretensão é reduzir em 50% o número de mortes em rodovias e vias paulistas até 2030, com uma projeção de salvar 19 mil vidas.
Desenvolvido em cinco etapas e atualmente em consulta pública até 19 de outubro, o programa busca confrontar o cenário de sinistros de trânsito que gerou um custo de R$ 12 bilhões em 2024 e representa uma grave questão de saúde pública e social no estado.
Vidas poupadas e redução dos custos econômicos
O plano representa uma ação coordenada frente a um problema de saúde pública, social e econômica. Os incidentes no trânsito sobrecarregam o sistema de saúde e geram despesas elevadas para a sociedade.
Eduardo Aggio, presidente do Detran-SP, afirmou que o “PSV-SP é uma resposta coordenada a uma crise de saúde pública, social e econômica. As mortes e lesões no trânsito sobrecarregam o sistema de saúde e geram custos altíssimos para a sociedade. Este plano coloca todos os atores na mesma direção, articulados no âmbito do Sistran-SP e guiados por dados, evidências e boas práticas internacionais”.
A proposta está alinhada às metas comuns da Organização das Nações Unidas (ONU) e do Plano Nacional de Redução de Mortes e Lesões no Trânsito (Pnatrans). Ambas as diretrizes visam uma diminuição de 50% nos óbitos registrados em vias urbanas e rodovias. Com a implementação do PSV-SP, há um potencial de salvar 19 mil vidas até 2030. Essa projeção considera a diferença entre a tendência atual de aumento da mortalidade e a trajetória esperada com o plano.
O documento, que totaliza cerca de 80 páginas, está disponível em uma plataforma digital própria para participação popular. O processo de sua criação, iniciado em maio, percorreu cinco etapas até a formulação do texto preliminar, que agora recebe contribuições até 19 de outubro. Este trabalho é resultado de uma colaboração entre diversas entidades estaduais e municipais, no âmbito do Sistema Estadual de Trânsito (Sistran-SP).
Um comitê executivo foi responsável pela coordenação, reunindo representantes do Detran-SP, Departamento de Estradas de Rodagem (DER-SP), e das Secretarias de Gestão e Governo Digital, Casa Civil, Educação, Segurança Pública e Saúde. Essa atuação interinstitucional é fundamental para a governança da segurança viária estadual.
Financeiramente, os acidentes de trânsito em São Paulo totalizaram mais de R$ 12 bilhões em 2024. Esta estimativa foi elaborada pelo Detran-SP com base em uma metodologia do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). A perda de vidas, com foco nos motociclistas, alcança aproximadamente 2.400 mil anualmente no território paulista.
Frederico Pierotti, coordenador do Sistran-SP, reforçou a importância da parceria: “O Sistran-SP é o espaço que coordena a agenda de segurança viária no Estado. Este plano mostra a força da atuação conjunta entre órgãos estaduais, municípios e parceiros técnicos, com o Detran-SP e sua Diretoria de Segurança Viária (DSV) na liderança. Ele nasce de uma construção coletiva e participativa, e agora o desafio é avançar com a colaboração dos municípios e a participação ativa da sociedade. Só com esse esforço conjunto conseguiremos consolidar a rede estadual e salvar milhares de vidas”.
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