O custo do Gilmarpalooza aos cofres públicos
Ida de 36 parlamentares ao Fórum de Lisboa deverá custar mais de R$ 760 mil à Câmara dos Deputados e Senado
A participação de 36 parlamentares à edição deste ano do Fórum de Lisboa, apelidado de ‘Gilmarpalooza’., deverá custar R$ 760 mil para a Câmara dos Deputados e o Senado Federal, segundo a Folha de S.Paulo.
De acordo com dados tornados públicos, o custo de passagens de Brasil a Portugal varia de R$ 4,7 mil a R$ 41,2 mil. Já em relação às diárias – que incluem custos com hospedagens, transporte e alimentação – os valores vão de R$ 5,9 mil a R$ 21,6 mil.
De todos os congressistas que viajaram com as despesas pagas pelo Congresso, apenas 11 constavam na programação oficial do evento como palestrantes.
Como mostramos, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), por exemplo, foi para ao Gilmarpalooza em um jato da Força Aérea Brasileira (FAB). Motta ofereceu carona a outros parlamentares, entre eles o ex-presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL).
A reportagem apontou que o Congresso pagou passagens de 16 deputados e 2 senadores, ao preço médio de R$ 18 mil. Outros quatro senadores solicitaram que a Casa custeasse o seguro-viagem.
O senador Irajá (PSD-TO) e o deputado federal Luciano Vieira (Republicanos-RJ) foram os congressistas que contrataram o serviço de seguro-viagem em valores mais caros.
Já a senadora Daniella Ribeiro (PP-PB) foi quem teve o maior gasto com diárias. Ela pagou R$ 21,6 mil em seis diárias e emendou uma outra viagem para o Marrocos para o encontro do grupo Lide.
Os parlamentares ainda podem solicitar o reembolso de passagens aéreas ou devolver parte das diárias recebidas caso não tenham utilizado o valor. As notas devem ser apresentadas em até 90 dias.
Com isso, o custo total pode variar.
Leia mais: Câmara omite ‘trem da alegria’ do Gilmarpalooza
Gilmar normaliza encontro
Gilmar Mendes, contudo, disse não ver problema em haver encontros entre advogados, empresários e “juízes” no Fórum de Lisboa.
Segundo o ministro, não há razão para alimentar suspeitas sobre o evento, pois “ninguém” vai ao Gilmarpalooza “para fazer coisa errada”.
Além disso, Gilmar afirmou que nenhuma das empresas envolvida custeou as passagens ou hospedagens aos convidados.
“Se cria muito mistério, vocês veem aí a vinda de empresários que conversam com juízes. Nós conversamos com juízes em todos os lugares no Brasil, os advogados, os empresários. O Brasil tem uma tradição de muita receptividade em relação a isso. E ninguém vem aqui para fazer coisa errada, vocês sabem disso. Vocês são testemunhas, a abertura que nós damos para a mídia é total, porque ninguém está com medo de nada”, acrescentou.
Gilmar ainda ironizou o apelido dado ao encontro: “Alguém brincou dizendo que agora nós temos que chamar de Fórum Internacional de Lisboa, mas, se quiserem, podem continuar chamando de Gilmarpalooza.”
O evento recebeu 400 palestrantes e teve 2.500 inscrições.
Ao menos 45 integrantes do governo Lula, incluindo assessores, secretários e ministros, participaram do Gilmarpalooza.
Leia mais: Gilmar normaliza “empresários que conversam com juízes” no Gilmarpalooza
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (2)
Ita
09.07.2025 10:48Tudo pode ser errado quando quem o faz não nos é amigo/aliado/conveniente/simpático/conivente etc.
LUCIANA SOARES VIGA
08.07.2025 17:35engraçao, o MESMO GILMAR achava um absurdo juiz federal ter conversas "paralelas"com promotores na Lava-Jato, era "imoral, errado"... sei...