“O Brasil perdeu, e não estou falando do futebol”, diz Damares sobre CPMI do INSS
Senadora criticou decisão do STF para o encerramento da comissão; "Mais uma vez os corruptos vencem a batalha. Mas não venceram a guerra"
A decisão que selou o fim da CPMI do INSS provocou reação da oposição no Congresso. A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) elevou o tom ao comentar o desfecho da comissão e associou o encerramento dos trabalhos a uma derrota institucional.
“O Brasil perdeu, e não estou falando do futebol”, afirmou. Em seguida, reforçou o discurso de enfrentamento: “Mais uma vez os corruptos vencem a batalha. Mas não venceram a guerra”.
A parlamentar também voltou a cobrar responsabilização pelos desvios investigados. “A CPMI do INSS, que lutei tanto para ser instalada, será encerrada. Mas nossa luta para garantir que os ladrões de órfãos e viúvas recebam punição exemplar continua”. Damares afirmou aind que há desgaste social diante dos casos revelados. “Não aguento mais, nosso povo não aguenta mais. A resposta virá”, concluiu.
A fala ocorre no momento em que a comissão entra na fase final, pressionada pelo prazo e pelo impasse político sobre sua continuidade.
Entenda
O Supremo Tribunal Federal (STF) derrubou, nesta quinta-feira, 26, a decisão do ministro André Mendonça que havia determinado prazo de 48 horas para que o presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre (União-AP), prorrogasse a CPMI do INSS.
No julgamento, Mendonça votou pela prorrogação por 60 dias, mas foi vencido pela maioria. Os ministros Flávio Dino, Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Nunes Marques, Dias Toffoli, Cármen Lúcia, Gilmar Mendes e Edson Fachin entenderam que cabe ao Congresso decidir sobre o destino da comissão. Apenas Luiz Fux acompanhou Mendonça. O placar foi de 8 votos a 2. Na prática, a decisão retirou qualquer obrigatoriedade de extensão dos trabalhos. Alcolumbre já indicou que não pretende prorrogar o prazo, o que leva ao encerramento da CPMI até sábado, 28.
Mesmo com o prazo apertado, a CPMI tenta concluir seus trabalhos. O presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), afirmou que a intenção é evitar qualquer adiamento. “Espero que [hoje] a gente consiga ler todo o relatório e que possamos votar [hoje] mesmo”, disse. O relatório final, elaborado pelo deputado Alfredo Gaspar (União-AL), tem cerca de 5 mil páginas e recomenda o indiciamento de 228 pessoas.
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