Novo presidente do STJ minimiza escândalos na Corte: “Questões pontuais”
Luís Felipe Salomão afirma que “corrupção e venda de decisões são exceções” e que casos recentes não abalam a credibilidade do tribunal
O novo presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Luís Felipe Salomão, minimizou, em entrevista ao Estadão, o impacto de casos recentes envolvendo a conduta de magistrados e servidores da própria Corte. Para ele, episódios como acusações de crimes sexuais contra Marco Buzzi, por exemplo, e suspeitas de negociação de decisões não comprometem a imagem do tribunal.
Questionado sobre como recuperar a credibilidade do STJ, Salomão afirmou que a Corte mantém reconhecimento por decisões relacionadas a direitos de diferentes grupos.
“É um tribunal com muito reconhecimento. A credibilidade não fica abalada com questões pontuais”, disse.
Na entrevista, o ministro também relativizou a importância de um código de ética para o Judiciário, proposta defendida pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin.
Para Salomão, a medida pode gerar frustração se o tema ético passar a ocupar o centro das discussões sobre os tribunais.
“Corrupção e venda de decisões são exceções, não é a regra”, disse.
“O debate é muito mais amplo do que isso. Eu acho que nós precisamos buscar formas de fazer o Judiciário funcionar melhor, ser mais funcional, mais acessível, menos burocrático. Funcionar para atender o cidadão.”
Palestras e parentes de ministros
O presidente do STJ afirmou ainda que os valores recebidos por magistrados em palestras devem ser públicos, mas voltou a defender que o tema não se sobreponha à discussão sobre a eficiência do Judiciário.
“A razão do Judiciário existir é resolver conflitos, solucionar problemas, e não criar problemas.”
Questionado pelo Estadão sobre a presença de parentes de ministros que atuam como advogados nos mesmos tribunais, Salomão defendeu a prática.
“Mas a atuação de parentes acontece em todos os países do mundo. É o exercício livre de uma profissão.”
Quem é Luís Felipe Salomão?
Salomão chegou ao STJ em 2008 assume a presidência da Corte para o biênio 2026-2028.
Entre 2022 e 2024, comandou a Corregedoria Nacional de Justiça (CNJ).
O magistrado é conhecido por decisões e estudos relacionados ao Direito Privado, especialmente temas empresariais, civis e de recuperação judicial.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (1)
Marian
23.08.2026 18:00A quantidade é um problema, seriam pontuais mesmo?