“Não me vejo capaz de ser cuidada como devo ser”, diz Zambelli sobre prisão
Parlamentar disse sofrer com doenças que impediriam sua sobrevivência na cadeia, após ser condenada pelo STF
A deputada federal Carla Zambelli (PL) afirmou nesta quinta-feira, 15, que não sobreviveria na cadeia, após ser condenada a 10 anos de prisão, perda do mandato e ao pagamento de multa, por invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e inserção de documentos falsos.
A parlamentar admitiu sofrer de depressão, síndrome de taquicardial postural ortostática e síndrome de Ehlers-Danlos. Segundo Zambelli, os médicos foram “unânimes em afirmar que eu não sobreviveria na cadeia”.
“Se acontecer de ter a prisão, vou me apresentar para a prisão. Mas não me vejo capaz de ser cuidada da maneira como eu devo ser cuidada”, disse aos jornalistas.
Unanimidade
Os ministros Flávio Dino, Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Luiz Fux acompanharam o voto do relator, Alexandre de Moraes.
Por decisão da Primeira Turma, Zambelli e o hacker Walter Delgatti Neto, condenado a 8 anos e 3 meses de prisão, cumprirão a pena de reclusão inicialmente em regime fechado.
Os dois foram condenados também ao pagamento do valor mínimo indenizatório a título de danos materiais e morais coletivos de 2 milhões de reais.
A perda do mandato de Zambelli deverá ser declarada pela Mesa Diretora da Câmara. Segundo Alexandre de Moraes, “não há dúvidas de que Walter Delgatti Neto, sob as ordens diretas de Carla Zambelli Salgado de Oliveira, invadiu, por, ao menos, 13 vezes, os sistemas do CNJ, com o fim de adulterar dados e informações”.
É “inegável” ainda, diz o relator, a incidência, no caso, “da causa de aumento prevista no parágrafo segundo ao artigo 154-A do Código Penal, na medida em que, após a invasão perpetrada, foi necessário que o Conselho Nacional de Justiça – CNJ mobilizasse recursos humanos e tecnológicos para identificar, conter e solucionar o ataque aos diversos sistemas por ele mantidos e que impactam todo o Poder Judiciário nacional”.