MST avalia enviar militantes para defender a ditadura na Venezuela
"Aos gringos: não se atrevam entrar na Venezuela, que todos nós fecharemos fileiras", declarou o lider do MST, João Pedro Stédile
O MST mantém laços históricos com o regime chavista na Venezuela, que se intensificaram durante a ditadura de Nicolás Maduro.
Essas relações são marcadas por solidariedade ideológica, intercâmbios agrícolas e apoio mútuo em contextos de tensão geopolítica, especialmente contra o que ambos consideram “imperialismo norte-americano”.
Nos últimos meses, com a escalada de ameaças dos EUA sob a perspectiva de uma possível volta de Donald Trump ao poder, esses laços ganharam destaque, envolvendo doações de terras, planos de envio de militantes e declarações públicas de defesa.
Após receber uma significativa concessão de 180.000 hectares de terra por parte do governo ditatorial de Nicolás Maduro, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) está se preparando para mobilizar seus militantes em defesa da Venezuela, caso ocorra uma intervenção militar dos Estados Unidos.
Em outubro de 2025, durante um evento em Caracas (capital da Venezuela), João Pedro Stédile, líder nacional do MST, anunciou planos para organizar e enviar brigadas de militantes à Venezuela em solidariedade ao regime de Maduro. “Aos gringos: não se atrevam entrar na Venezuela, que todos nós fecharemos fileiras”, declarou Stédile.
Ele argumentou que Maduro conta com amplo apoio popular e que as forças civis venezuelanas estão preparadas para resistir, posicionando o MST como parte de uma frente latino-americana contra o “imperialismo”.
Em entrevista recente à Rádio Brasil de Fato, o líder do MST, João Pedro Stédile, reforçou que essa proposta foi discutida e aprovada no Congresso Mundial em Defesa da Mãe Terra, realizado em Caracas há duas semanas:
“Cheguei a colocar em votação na Assembleia do Congresso, que nós, movimentos da América Latina, vamos fazer reuniões e já estamos fazendo consultas para, no menor prazo possível, organizar brigadas internacionalistas de militantes de cada um dos nossos países para ir à Venezuela e nos colocarmos à disposição do governo e do povo venezuelano”, disse Stédile.
Em 2024, Maduro já havia solicitado explicitamente ao MST o envio de uma “brigada de agricultores” para ajudar na produção de alimentos na Venezuela, sem menção inicial a contextos militares.
No entanto, com o agravamento das tensões EUA-Venezuela em 2025, esse pedido evoluiu para discussões sobre brigadas internacionalistas mais amplas, incluindo apoio em caso de invasão.
Em redes sociais, postagens recentes do MST e de aliados reforçam essa solidariedade, com chamadas para mobilização continental.
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