MPE pede anulação da candidatura de Canella por ligação com milícias
Parecer cita nomeação de lideranças milicianas para cargos públicos e suspeita de acordos com o Comando Vermelho em Belford Roxo
O Ministério Público Eleitoral (MPE) pediu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que anule o registro da candidatura de Márcio Canella (União Brasil), deputado estadual eleito pelo Rio de Janeiro, por supostas ligações com milícias e o Comando Vermelho.
Em parecer apresentado nesta sexta-feira, 23, o órgão afirma haver indícios de que o político atuou como articulador de uma organização criminosa armada.
O vice-procurador-geral eleitoral, Alexandre Espinosa, aponta que Canella nomeou pessoas ligadas a milícias para cargos públicos.
Quando era deputado estadual, ele teria mantido no gabinete a mulher de um líder do grupo conhecido como Bonde do Jura. Já na prefeitura de Belford Roxo, nomeou lideranças milicianas para duas secretarias municipais.
O parecer também cita suspeitas de acordos entre a gestão municipal e o Comando Vermelho durante a operação Barricada Zero, voltada à retirada de barricadas do tráfico.
Segundo Espinosa, os acordos permitiriam a realização temporária de obras e gravações em comunidades, com posterior devolução do controle territorial à facção.
Leia também: PF aponta acordo de Canella com CV para retirar barricadas
Operação Unha e Carne
Canella foi preso em 15 de outubro, após a eleição, na Operação Unha e Carne, que investiga uma organização suspeita de lavar dinheiro do crime organizado por meio de uma rede de postos de combustíveis.
A investigação apura movimentações superiores a R$ 7,6 bilhões em seis anos, segundo dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
A Polícia Federal aponta Canella como possível articulador político do grupo e investiga suspeitas de favorecimento e recebimento de recursos em espécie.
Na ocasião da prisão, foram encontrados um fuzil de uso restrito e mais de R$ 919 mil em dinheiro vivo.
TSE havia liberado candidatura
O MPE quer que o TSE reforme a decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ), que havia autorizado a candidatura.
Espinosa argumenta que o tribunal regional não teve acesso às provas de um inquérito do Supremo Tribunal Federal (STF), cujo sigilo foi retirado neste mês.
O parecer sustenta que a Justiça Eleitoral pode barrar candidaturas ligadas a organizações criminosas mesmo sem condenação definitiva, com base na Constituição, que proíbe a influência de grupos paramilitares nos partidos políticos.
Canella recebeu 197.178 votos, o segundo maior número entre os candidatos a deputado estadual no Rio.
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