MP denuncia Marcinho VP, Oruam e familiares
Promotoria aponta atuação em lavagem de dinheiro do tráfico
O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro denunciou o traficante Márcio Santos Nepomuceno (o Marcinho VP), a mulher dele, Marcia Nepomuceno, o filho Mauro Nepomuceno (o Oruam), e outras nove pessoas por organização criminosa e lavagem de dinheiro.
A acusação aponta um esquema voltado à ocultação de recursos do tráfico de drogas.
Segundo a denúncia, Marcinho VP, preso há mais de 20 anos, mantém influência sobre o Comando Vermelho, coordenando decisões estratégicas e a movimentação de dinheiro mesmo de dentro do presídio.
A Promotoria afirma que o grupo atuava no “branqueamento” de valores obtidos em comunidades do Rio.
As investigações indicam que Marcia Nepomuceno exercia o papel de gestora financeira.
De acordo com o Ministério Público, ela recebia dinheiro em espécie de outros traficantes e utilizava esses recursos para adquirir imóveis, fazendas e estabelecimentos comerciais, com o objetivo de ocultar o patrimônio.
Papel do núcleo familiar
Ainda segundo a acusação, Oruam seria beneficiário direto do esquema.
Ele teria recebido recursos de integrantes da facção para despesas pessoais e investimentos, utilizando a carreira musical como forma de dissimular a origem do dinheiro.
A denúncia descreve uma estrutura dividida em quatro núcleos, incluindo a liderança encarcerada, o núcleo familiar, um grupo de suporte operacional e outro voltado à execução das atividades criminosas nas comunidades.
A Polícia Civil realizou na quarta-feira uma operação para cumprir mandados de prisão e busca e apreensão contra os denunciados. Oruam é considerado foragido desde fevereiro.
Para o Ministério Público, o grupo mantinha uma engrenagem organizada para gerir e ocultar recursos ilícitos, com divisão de funções e atuação coordenada entre seus integrantes.
Os policiais conseguiram prender Carlos Alexandre Martins da Silva. Ele é apontado como operador financeiro do CV.
Crimes de Oruam
Oruam foi indiciado por sete crimes –tráfico de drogas, associação ao tráfico, lesão corporal, resistência qualificada, dano ao patrimônio público, ameaça e desacato– após impedir a apreensão de um adolescente procurado por roubo.
Em 21 de julho, ele tentou impedir o cumprimento de busca e apreensão contra um adolescente procurado por roubo, atirando pedras em policiais. O rapper também xingou o delegado Moyses Santana, da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), responsável pela operação.
Identificado como Menor Piu, o adolescente, que estava na mansão do artista no Joá, é apontado como um dos seguranças do traficante Edgar Alves de Andrade, o Doca, um dos chefes do Comando Vermelho (CV).
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