MP aponta uso de postos, motéis e franquias de cosméticos para lavagem de dinheiro do PCC
Operação Spare apura um esquema voltado à exploração de jogos de azar e à venda de combustíveis adulterados
A Operação Spare, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) nesta quinta-feira, 25, revelou que uma organização criminosa chefiada por Flávio Silvério Siqueira utilizava 267 postos de combustíveis, 98 franquias de cosméticos da marca O Boticário, 60 motéis e empreendimentos imobiliários para lavagem de dinheiro.
“Na operação de hoje, vimos que a infiltração é mais ampla ainda do que pôde parecer ali na Operação Carbono Oculto”, afirmou o secretário especial da Receita Federal, Robinson Barreirinhas (foto), durante coletiva de imprensa.
A investigação, realizada em parceria com a Receita Federal, a Secretaria da Fazenda, a Procuradoria-Geral do Estado de SP e a Polícia Militar, identificou que alguns dos alvos estão diretamente ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
A Operação Spare apura um esquema voltado à exploração de jogos de azar e à venda de combustíveis adulterados, ambos com conexões ao PCC.
De acordo com as investigações, o grupo também utilizava a fintech BK Bank como ferramenta para lavar dinheiro de origem criminosa.
Estão sendo cumpridos 25 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Santo André, Barueri, Bertioga, Campos de Jordão e Osasco.
Organograma do grupo
Segundo o MP, o chefe do grupo criminoso chama-se Flávio Silvério Siqueira, conhecido como “Flavinho”.
Ele é apontado como responsável pela lavagem de dinheiro do crime organizado, utilizando postos de combustíveis.
Outro alvo da operação é Maurício Soares de Oliveira, proprietário de uma rede de lojas de O Boticário.
Segundo o MP, as franquias operavam com contas bancárias abastecidas exclusivamente por depósitos em espécie, prática comum em esquemas de lavagem de dinheiro.
Além disso, as franquias apresentaram crescimento anormal de receita bruta, até mesmo durante o período da pandemia, quando grande parte do comércio enfrentava queda nas vendas ou estava fechado.
O grupo criminoso também era dono de mais de 60 motéis, mas utilizavam “laranjas” para ocultar a identidade. O MP apurou que os estabelecimentos movimentaram cerca de R$ 450 milhões entre 2020 e 2024.
Nota oficial do Grupo Boticário
“A companhia declara que está buscando informações junto às autoridades competentes e reforça que adota políticas específicas de prevenção à Lavagem de Dinheiro e Anticorrupção, somadas ainda ao seu Código de Conduta e ao próprio contrato de Franquia, que exige cumprimento irrestrito da legalidade”.
Operação Carbono Oculto
A Operação Spare é um desdobramento da megaoperação Carbono Oculto, realizada em agosto, com o objetivo de desmantelar um esquema de fraudes e lavagem de dinheiro articulado pelo PCC no setor de combustíveis.
Estavam na mira dos investigadores várias empresas envolvidas na cadeia de importação, produção e distribuição, além de postos de combustíveis.
Segundo a Receita Federal, o PCC utilizava fintechs e fundos de investimento para lavar dinheiro e ocultar patrimônio.
Ao todo, 42 alvos foram localizados em cinco endereços na avenida Faria Lima, em São Paulo.
Pelo menos 40 fundos de investimento (multimercado e imobiliários) eram controlados pelo Primeiro Comando da Capital.
Mais de 1 bilhão de reais em bens foram bloqueados.
Leia mais: MP mira venda de combustíveis adulterados por parte do PCC
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Comentários (1)
Angelo Sanchez
25.09.2025 18:11A nossa decadente democracia e a Justiça estão enxugando gelo, começando com o STF que persegue inimigos políticos e solta narcotraficante, nos últimos anos, mais de 30 chefes do PCC deixaram a prisão pela porta da frente. A nossa democracia já foi pro esgôto desde que foi eleito um corrupto, a bandidagem anda livre, alegre e solta.