Motta nega intenção de limitar trabalho da imprensa após confusão na Câmara
Jornalistas não puderam entrar no plenário para cobrir ocupação de Glauber Braga e foram agredidos pela Polícia Legislativa
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), disse nesta quinta-feira, 11, lamentar os transtornos causados aos profissionais de comunicação na cobertura da ocupação de Glauber Braga (Psol-RJ), na terça-feira, 9, e disse que “não houve intenção de limitar o exercício da atividade jornalística“. A presidência da Casa se manifestou por meio de uma nota.
“As informações apresentadas pelos jornalistas serão incorporadas à apuração em andamento a fim de identificar eventuais excessos nas providências adotadas ao longo do processo de retomada dos trabalhos”, pontua.
Glauber ocupou a Mesa Diretora da Casa na terça, em protesto contra o seu processo de cassação. Após o início da ocupação, num primeiro momento, a Polícia Legislativa retirou do plenário todos que não eram parlamentares, incluindo profissionais da imprensa. Além disso, a TV Câmara parou de transmitir imagens do plenário, dificultando a todos que estavam do lado de fora de saber o que ocorria no interior.
Glauber foi retirado à força da cadeira de Motta pela Polícia Legislativa. Quando agentes o conduziam no Salão Verde, jornalistas que cobriam a confusão foram agredidos pela Polícia Legislativa.
Na nota desta quinta, a presidência da Câmara diz que, naquele dia, Glauber assumiu a condução da sessão deliberativa extraordinária do plenário das 15h29 às 15h48 e, depois, às 16h02, ocasião em que informou ter sido comunicado da chegada do Quarto-Secretário, Sergio Souza (MDB-PR), à Mesa Diretora
Segundo a presidência da Câmara, ao não passar a presidência da sessão para o outro parlamentar, Glaber descumpriu o regimento interno.
“Às 17h24, já presidindo a sessão, iniciou manifestação antirregimental e afirmou que não deixaria a cadeira da Mesa Diretora. Diante da impossibilidade de continuidade dos trabalhos, o presidente da Câmara determinou a imediata suspensão da sessão, anúncio que pôde ser formalizado pelo Primeiro-Secretário às 17h42”, prossegue a nota.
Ainda conforme o comunicado, as regras da ordem de prioridade das transmissões oficiais estabelecem que a interrupção de uma sessão plenária acarreta automaticamente a veiculação do evento legislativo subsequente. “Assim, a TV Câmara passou a transmitir a reunião da Comissão de Saúde, procedimento técnico de praxe”.
No caso da retirada de assessores, servidores e profissionais de imprensa do plenário, a presidência diz que foi feita pela Polícia Legislativa em conformidade com ato da Mesa Diretora de 2020 e para garantir a segurança dos presentes. “Após tentativas de negociação e diante da permanência indevida do parlamentar na presidência, foi necessária sua retirada para o restabelecimento da ordem”.
Mandato suspenso
Na noite de quarta-feira, 10, o plenário da Câmara dos Deputados aprovou a suspensão do mandato de Glauber Braga por seis meses. Foram 318 votos a favor e 141 contrários a uma emenda de plenário, de autoria do líder do PT, Lindbergh Farias (PT-RJ), que trouxe a punição em substituição à cassação do mandato, prevista em um projeto de resolução de autoria do Conselho de Ética. Houve ainda três abstenções.
O projeto de resolução declarava a perda do mandato, por quebra do decoro parlamentar, devido ao fato de Glauber ter agredido fisicamente o militante do MBL Gabriel Costenaro. Na justificativa da emenda de plenário, agora aprovada, Lindbergh afirmou que a suspensão do mandato é “adequada e suficiente para reprovar a conduta, sem causar ruptura desproporcional na representação política, preservando-se o voto e evitando que a sanção seja instrumentalizada como mecanismo de perseguição parlamentar”.
Segundo o petista, Glauber agiu “em legítima defesa da honra de sua genitora, que se encontrava enferma, no exercício de reação à provocação injusta, o que caracteriza atenuante da conduta”.
Em 16 de abril de 2024, o deputado do Psol expulsou o militante da Câmara com empurrões e chutes. Naquela data, o parlamentar disse que Costenaro tem histórico de violência doméstica e de outras intimidações contra correligionários, incluindo uma suposta ameaça à mãe de um integrante do Psol no Rio de Janeiro.
Na sessão no plenário, na quarta, Glauber falou que não se arrepende de ter agredido o militante – a quem se referiu como “pobre diabo” -, pois reagiu a uma ofensa a sua mãe.
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Comentários (1)
Otreblig50
12.12.2025 09:51Esse rapazinho comprova a antiga tese de que, " Não se deve mandar um PIÁ, fazer um serviço de GAUDÉRIO !! ". Enorme erro de avaliação do padrinho LIRA quando escolheu o rebento. Semelhante à escolha de Luladrão quando oPTou por Dilma prá presidente, e DEU NO QUE DEU !!!!! hehehehehe