Moro sai em defesa de Zema após pedido de Gilmar no inquérito das fake news
Em postagem no X, senador afirmou que STF se tornou o oposto de "guardião da liberdade"
O senador Sergio Moro (PL-RJ) criticou nesta segunda-feira, 20, o Supremo Tribunal Federal (STF) após o ministro Gilmar Mendes pedir ao colega Alexandre de Moraes, por meio de notícia-crime, a inclusão do ex-governador Romeu Zema (Novo) no famigerado inquérito das fake news.
Segundo ele, a Corte deveria ser o “guardião da liberdade”, mas “se tornou o exato oposto”.
“O Brasil vive sob a censura do inquérito das fake news desde 2019 e ela está cada vez pior. O STF deveria ser o guardião da liberdade de expressão – já foi um dia – mas hoje se tornou o exato oposto. Minha solidariedade ao ex-governador Romeu Zema”, diz a postagem.
Em entrevista à GloboNews, Zema afirmou que ganhou “mais um motivo” para manter a candidatura.
“Mas eu levarei minha candidatura até o final e a partir de hoje eu ainda tenho mais um motivo para levá-la adiante, que é estar combatendo essa farra dos intocáveis, que eu já estava e agora vou intensificar”, diz.
Pedido sigiloso
Como de costume, o pedido é sigiloso e já foi encaminhado para a Procuradoria Geral da República (PGR) para posicionamento. A PGR é comandada por Paulo Gonet, ex-sócio de Gilmar no IDP.
O decano do STF não gostou de um dos vídeos da série de animação “Os Intocáveis”, publicada por Zema nas redes sociais para criticar os ministros do Supremo.
No segundo episódio, o boneco alusivo a Dias Toffoli pede ajuda do boneco alusivo a Gilmar após a CPI do Crime Organizado quebrar o sigilo da Maridt, da qual Toffoli é sócio.
Sátira
O decano do STF, que não tinha nenhuma ligação formal com o caso, suspendeu a quebra do sigilo por meio de um subterfúgio: ressuscitou um processo antigo para expedir um habeas corpus, atropelando a relatoria de André Mendonça, que cuida do caso do Banco Master no Supremo.
O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) pediu o indiciamento de Gilmar no relatório da CPI do Crime Organizado por conta dessa interferência. O relatório não foi aprovado, graças a uma manobra do governo Lula, mas o decano do STF pediu investigação de Vieira por abuso de autoridade.
Na animação publicada por Zema, Gilmar pede uma cortesia no resort Tayayá, símbolo da relação de Toffoli com o Master, como retribuição pela ajuda que deu ao colega.
Para o decano do STF, a animação publicada por Zema “vilipendia não apenas a honra e a imagem deste Supremo Tribunal Federal, como também da minha própria pessoa”. Ele segue:
“Valendo-se de sofisticada edição profissonal e de avançados mecanismos de ‘deep fake’, o vídeo emula vozes de ministros da Suprema Corte para travar diálogo que, além de inexistente, tem como claro intuito vulnerar a higidez desta instituição da República, com objetivo de realizar promoção pessoal.”
Leia mais: Gilmar volta a cobrar Zema por decisões favoráveis a Minas
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Comentários (2)
Ita
21.04.2026 10:36Acho que não há necessidades de novas leis, basta o Senado cumprir o seu papel de, único, fiscalizador do STF. Precisamos é de políticos probos, principalmente na câmara alta.
André Miguel Fegyveres
20.04.2026 19:41É preciso criar uma instãncia de pessoas probas, sem filiação política, com erudição jurídica, conhecidas em universidades e mundo acadêmico sem nomeação de políticos, presidentes etc. para que, reunidas em locais públicos julguem as atitudes dos ministros do STF, presidentes do Senado, do Congresso, da República. Não dá mais ouvir "suas excelências" falar com arrogância em auto defesa e dos seus colegas. Basta!