Moraes rejeita recurso e mantém condenação de ‘Débora do batom’
Cabeleireira alegou ter agido simbolicamente, mas continuará cumprindo pena de 14 anos de prisão
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), rejeitou nesta segunda-feira, 18, um recurso apresentado pela defesa da cabeleireira Débora dos Santos, condenada a 14 anos de prisão por participação nos atos de 8 de janeiro de 2023.
Débora ficou conhecida por pichar, com batom, a frase “Perdeu, mané” na estátua A Justiça, que fica em frente ao Supremo, em Brasília.
No recurso, a defesa de Débora pediu a absolvição parcial da cabeleireira, com base no voto do ministro Luiz Fux, que sugeriu a aplicação da pena de 1 ano e seis meses. De forma alternativa, solicitaram a redução de pena para 11 anos, como propôs o ministro Cristiano Zanin.
Os advogados alegam que o ato cometido por Débora teve caráter simbólico e não configuraria crime, afirmando que ela acreditava estar apenas exercendo o direito à livre manifestação.
“A acusada pensou que estava apenas exercendo o seu direito à livre manifestação”, diz trecho do pedido.
Pena mantida
O pedido foi feito com base no regimento interno do Supremo, que permite o chamado embargo infringente – um tipo de recurso cabível quando há ao menos dois votos pela absolvição.
No entanto, Moraes rejeitou a solicitação, destacando que não houve dois votos nesse sentido. Durante o julgamento, Zanin divergiu apenas quanto à dosimetria da pena, mas manteve a condenação.
Com a decisão, o tribunal manteve a sentença de 14 anos de prisão imposta à cabelereira.
Prisão domiciliar
Em março, Moraes autorizou que Débora cumprisse pena em prisão domiciliar.
A condenação dividiu a Primeira Turma: além do relator, Cármen Lúcia e Flávio Dino acompanharam o voto de 14 anos; Zanin sugeriu 11 anos, e Fux, 1 ano e 6 meses.
O julgamento chegou a ser interrompido após pedido de vista de Fux.
A pena imposta à cabeleireira é uma das mais criticadas por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro, que pedem anistia aos condenados.
Ela se tornou símbolo da campanha, com manifestantes usando batons como referência ao episódio.
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Comentários (3)
Erlon de Araujo Campos
19.08.2025 13:18Parabéns pela leitura dos comentários e pela correção do "cabelereira"...
Erlon de Araujo Campos
18.08.2025 17:47Recentemente um insigne colunista deste Site comentava, um tanto bilioso, sobre problemas de linguagem em uma decisão de Alexandre de Moraes (como a grafia "mais" onde deveria estar escrito "mas", dentre outros...). Poderia este mesmo articulista dar umas dicas para o Redator responsável por esta matéria que grafou "cabelereira" ao redigi-la. Acontece, não? ;)
Maraci Rubin
18.08.2025 16:01Xandão tem que ser impedido. Esse homem já passou do limite há muito tempo.