Moraes invade voto de Cármen Lúcia para rebater Fux
Ao contrário do que ocorreu no voto de Fux, a ministra concedeu apartes a Moraes, Dino e Zanin ao votar junto com o relator da ação da trama golpista
Relator do processo da trama golpista no Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Alexandre de Moraes (à esquerda na foto) invadiu o voto da colega Cármen Lúcia para reforçar sua perspectiva sobre os atos sob julgamento.
A invasão foi concedida, assim como Cármen Lúcia já tinha feito para intervenção de Flávio Dino, em atitude com a qual os três marcaram posição em relação a Luiz Fux, que fez questão de que nenhum ministro falasse durante seu longo voto, de cerca de 11 horas.
A intervenção de Moraes obviamente não foi de improviso, porque o ministro exibiu vídeos, com um discurso de Jair Bolsonaro na avenida Paulista e a quebradeira do 8 de janeiro de 2023, um dia depois de Fux abrir uma profunda divergência no caso em relação ao seu relatório.
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“Essa organização criminosa, liderada por Jair Bolsonaro, tentou simplesmente se apoderar do Estado, com o discurso, qeu Vossa Excelência lembrou agora, de desnaturar a questão democrática no sentido de deslegitimar as urnas. Fraude eleição, jogar o povo contra o Judiciário, jogar o povo contra a Justiça Eleitoral, com dois objetivos claros, que são exatamente os objetivos que não alcançaram, mas fizeram atos executórios e consumaram os crimes: calar o pode Judiciário , para acabar com o sistema de freios e contrapesos, em especial o Supremo Tribunal Federal e o Superior Tribunal Eleitoral, e se perpetuar no poder independentemente de eleições”, disse Moraes.
Vídeos
“‘Ah, mas no dia 8 de janeiro, nos acampamentos, nas manifestações em 7 de setembro, tudo isso eram atos aleatórios’. Tudo isso foi construído pela organização criminosa. E, rapidamente, agora, agora sim, rapidamente, como eu disse, presidente, uma imagem vale mais do que 1000 palavras, por favor”, disse Moraes ao introduzir o vídeo com o discurso em que Bolsonaro disse o seguinte:
“Temos um ministro dentro do Supremo que ousa continuar fazendo aquilo que nós não admitimos. Logo, um ministro que deveria zelar pela nossa liberdade, pela democracia e pela Constituição, faz exatamente o contrário. Ou esse ministro se enquadra ou ele pede para sair. Não se pode admitir que uma pessoa apenas, um homem apenas turve a nossa democracia e ameace a nossa liberdade. Dizer a esse ministro que ele tem tempo ainda para se redimir, Tem tempo ainda de arquivar seus inquéritos.”
Moraes foi acompanhando o vídeo com comentários, destacando frases de Bolsonaro, como “arquivar os inquéritos”, e emendou, ao fim do vídeo:
“Eu pergunto e, obviamente, é uma pergunta retórica, e aqui foi dito corretamente, nesse Plenário da Primeira Turma, que o que nós decidimos aqui vale para todos os tribunais e todos os juízes do país. Algum de nós aqui, e o nosso eminente decano, algum de nós permitiria e afirmaria que isso é liberdade de expressão e não crime se um prefeito numa cidade do interior, mediante milhares de pessoas, o povo contra o juiz da comarca, dizendo que não vai mais cumprir decisões do juiz da comarca? Nós, aqui, placitaríamos isso?
Qual o recado que nós queremos deixar para o poder Judiciário brasileiro? Qual o recado? Qual o precedente que nós queremos deixar para o juiz lá da comarca que não tem a segurança que nós temos, que, sozinho na comarca, é o verdadeiro representante do poder Judiciário e que faz a justiça na comarca. Nós vamos placitar que todo prefeito possa aí, no dia 7 de setembro, como um ‘patriota’, jogar a população contra o Judiciário? Isso não é uma grave ameaça ao funcionamento do Judiciário? Determinar ‘arquive o inquérito, chega, saia’?”
“Aqui não está ‘Mauro Cid presidente'”
Moraes seguiu, defendendo que o “líder da organização criminosa”, de que Fux não considerou haver provas na denúncia, era Bolsonaro:
“No dia, só para destacar, ministra, as imagens, o mesmo discurso: ‘intervenção militar’. criado pela organização criminosa. ‘Intervenção militar. Intervenção militar, Bolsonaro presidente’. Aqui não está ‘Mauro Cid presidente’. Aqui não está ‘Walter Braga Neto presidente’. Não está ‘Garnier presidente’. Não está ‘Anderson presidente’, não está ‘Ramagem presidente’. Aqui não está os demais réus. Aqui está o líder da organização criminosa presidente, que insuflava tanto que, em algo lamentável, e em 30 segundos encerramos, com a camisa com a figura do presidente, se destrói o relógio dado, vindo ao Brasil com Dom João VI. Todos se recordam [d]isso. Ele também não está com a camisa de nenhum dos outros corréus, está com a camisa do líder da organização criminosa, Jair Messias Bolsonaro.”
Assista ao julgamento:
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Comentários (1)
JOSE ROBERTO CARRARA
11.09.2025 16:50o peixe morre pela boca, esse idiota do Bolsonaro vai pagar por essas e outras besteiras que falou durante seu mandato, pobre Brasil, agora subordinado por essa gente que esta no poder...