Moraes barra visita de Valdemar a Bolsonaro
Ministro do STF manteve restrição que proíbe o ex-presidente de ter contato com investigados; Supremo reabriu investigação contra o dirigente
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), rejeitou nesta quarta, 22, o pedido da defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para receber a visita do presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, em sua residência, onde cumpre prisão domiciliar.
A decisão foi tomada um dia após a Primeira Turma do STF determinar a reabertura da investigação contra Valdemar por suposta participação na tentativa de golpe de Estado de 2022.
A defesa de Bolsonaro havia solicitado autorização para um “diálogo direto” do ex-presidente com o dirigente, em 29 de outubro, alegando questões de agenda e coordenação partidária.
No entanto, Moraes reforçou as medidas cautelares impostas ao ex-presidente, que proíbem qualquer contato com outros réus ou investigados das ações penais relacionadas à trama golpista, inclusive por intermédio de terceiros.
Reabertura de investigação
A reabertura da investigação sobre Valdemar ocorreu na terça, 21, durante julgamento do chamado ‘núcleo 4’ da trama golpista.
Por 4 votos a 1, o colegiado acolheu proposta do relator, ministro Alexandre de Moraes.
Com a decisão, a investigação será retomada para apurar os crimes de organização criminosa e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.
Valdemar havia sido indiciado pela Polícia Federal no ano passado, no inquérito que apura o plano para manter Bolsonaro no poder após as eleições de 2022.
A Procuradoria-Geral da República, no entanto, não apresentou denúncia contra ele em nenhum dos quatro núcleos de acusados.
Valdemar e as eleições
Em 2022, o presidente do PL entrou com uma ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na qual solicitava a anulação de parte dos votos da eleição.
Segundo a PF, a sigla foi usada para “para financiar a estrutura de apoio as narrativas que alegavam supostas fraudes às urnas eletrônicas, de modo a legitimar as manifestações que ocorriam em frentes as instalações militares”.
Além disso, o relatório indicou que, em 22 de novembro de 2022, Valdemar era o “principal fiador dos questionamentos” feitos pela coligação formada pelo PL, Republicanos e Progressistas.
A PF apontou que Valdemar tinha a função de “financiar, divulgar perante a imprensa e endossar a ação judicial que corroborava a atuação da rede de ‘especialistas’ que subsidiaram ‘estudos técnicos’ que comprovariam supostas fraudes nas eleições presidenciais de 2022”.
Leia mais: Moraes vota para condenar réus do “núcleo 4” da trama golpista
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