Minuta achada com Torres é semelhante a mostrada por Bolsonaro, diz Freire Gomes
Ex-comandante do Exército e ex-ministro da Justiça participaram de acareação na ação penal do golpe de Estado, no STF
O ex-comandante do Exército Freire Gomes disse nesta terça-feira, 24, durante a acareação da ação penal do golpe de Estado, que a minuta do golpe encontrada na casa do ex-ministro da Justiça Anderson Torres tinha conteúdo semelhante ao de um documento apresentado pelo então presidente Jair Bolsonaro (PL) em um reunião em 7 de dezembro de 2022.
“Indagado pelo ministro relator, a testemunha esclarece que não houve qualquer contradição em seu testemunho, uma vez que, no dia 07/12 foi apresentado um documento com vários ‘considerandos’ que ao final remetiam à possibilidade da decretação do estado de sítio e GLO, e que lhe foi dito, naquela data, que o presidente ia estudar o assunto e enxugar”, diz a ata da acareação, divulgada nesta tarde pelo Supremo Tribunal Federal.
“Nessa data do dia 07/12, o então presidente Jair Bolsonaro informou aos participantes da reunião que o material apresentado se tratava de um estudo e estava informando a eles. Quando a testemunha teve contato com a minuta encontrada na casa do réu Anderson Torres, verificou que se tratava do mesmo assunto constante naquele documento do dia 07/12, ou seja, a possibilidade de decretação do estado de sítio e GLO“.
A ata prossegue: “Em virtude disso, a testemunha reafirma que entende que os documentos têm conteúdo semelhante, pois tratam do mesmo assunto, em que pese jamais ter afirmado que se trata do mesmo documento. Entre as reuniões do dia 07/12 e 14/12 a testemunha esclarece que ocorreram outras reuniões onde esse mesmo assunto foi discutido já com maiores detalhes e medidas mais
concretas”.
Segundo Freire Gomes, a reunião no Ministério da Defesa no dia 14 de dezembro de 2022 foi encerrada antes de qualquer leitura de documento ou minuta. Dessa forma, ele reafirmou entender que os conteúdos do documento do dia 7 de dezembro, dos documentos tratados entre 7 e 14 de dezembro e a minuta encontrada na casa de Anderson Torres apresentam semelhanças.
O ex-comandante do Exército reiterou que Anderson Torres não participou das reuniões dos dias 7 e 14 de dezembro e que não se recorda de ter se reunido com ele após essas datas.
De acordo com Freire Gomes, Anderson Torres, na sua presença, nunca incentivou qualquer ato fora da legalidade.
A audiência de acareação foi conduzida pelo ministro Alexandre de Moraes, relator da ação penal. Também acompanharam a audiência o ministro Luiz Fux e o procurador-geral da República, Paulo Gonet. Torres e Freire Gomes estiveram acompanhados dos advogados.
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