Messias vai à Marcha para Jesus como representante de Lula
Organizadores pedem neutralidade, mas evento reúne adversários políticos no mesmo palco; governo e oposição disputam espaço ‘simbólico’
Jorge Messias, ministro da Advocacia-Geral da União, participa nesta quinta-feira, 4, da Marcha para Jesus, em São Paulo, como representante oficial do governo pelo quarto ano consecutivo.
O evento reúne, pela primeira vez após sua derrota no Senado a uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), lideranças evangélicas e políticos de campos opostos — entre eles o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Muito cacique para pouco índio
A presença simultânea de representantes do governo e da oposição levanta atenção em ano eleitoral, mas o organizador do evento trata o assunto com cautela.
O apóstolo Estevam Hernandes, líder da Igreja Apostólica Renascer em Cristo, afirmou ter orientado os participantes a evitarem declarações de cunho eleitoral.
“Não haverá discursos políticos, eu tenho orientado a todos nesse sentido. O nosso programa será a fala do governador e do prefeito e uma oração por todos. Caso haja fala, não será com teor político”, garantiu Hernandes ao Estadão.
O presidente Lula não comparece ao evento desde o início de seu terceiro mandato e mantém a tradição de enviar uma carta para leitura no palco.
Política e religião se misturam?
A participação de Messias, neste momento, tem outro peso. O Senado rejeitou sua indicação ao STF, em movimento articulado por Davi Alcolumbre mesmo após bispos com grandes congregações terem feito pressão direta junto a senadores em apoio à nomeação. Lula quer reenviar o nome, mas a medida divide opiniões internamente, tanto no campo político quanto no jurídico.
Do lado da oposição, Flávio Bolsonaro adota postura diferente da registrada pelo pai, Jair Bolsonaro, que há quatro anos utilizou o mesmo palco para classificar o pleito eleitoral como “guerra do bem contra o mal” e defender posições conservadoras sobre costumes. O senador tem buscado construir uma imagem mais moderada em sua projeção nacional.
Também é esperado no evento o ministro do STF, André Mendonça, indicado por Jair Bolsonaro com a credencial de “terrivelmente evangélico” e que apoiou publicamente a entrada de Messias na Corte.
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