Mercadante compara impacto do ‘tarifaço’ ao da pandemia e enchentes no RS
Presidente do BNDES alerta para risco de quebra de empresas com perdas de até 80% no faturamento e defende socorro do Estado
O presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Aloizio Mercadante, afirmou nesta sexta-feira, 22, que os efeitos do tarifaço imposto pelo governo Trump sobre empresas brasileiras são comparáveis ao período da pandemia de Covid-19 e à tragédia das chuvas do Rio Grande do Sul em 2024.
“Do ponto de vista da empresa é uma tragédia. O que eu estou falando é parecido com a Covid, com uma inundação do Rio Grande do Sul. Tem que ter apoio do Estado. É para isso que existe o Estado, para ser solidário com a economia. E principalmente aqui no caso do governo presidente Lula é olhar a empresa e o emprego. O governo vai fazer, vai socorrer, ninguém vai ficar para trás”, disse Mercandante, acrescentando:
“Se o Estado brasileiro não der suporte a essas empresas, gente que perdeu mais de 80% do seu faturamento? Quebra. O que é que vai acontecer com as empresas que perderam 60% a 50% , de um dia para o outro, sem nenhuma negociação? O dano em termos de desemprego, de redução, de atividade, é muito expressivo”.
Tarcísio sugere “entregar algumas vitórias” a Trump
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), defendeu na segunda, 18, que o governo federal conceda “algumas vitórias” ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para tentar reverter o tarifaço de 50% imposto a produtos brasileiros.
“Acho que é fundamental compreender um pouco do estilo do presidente americano. É um presidente que vive da economia da atenção. Que gosta de sentar com o chefe de Estado, botar um chefe de Estado sentado lá dentro e dizer: ‘Olha, consegui uma vitória’. E ele está querendo colecionar vitórias. Ele quer. Então, por que não entregar algumas vitórias?”, disse, durante evento com empresários em São Paulo.
“O que resolve é sentar à mesa e negociar. Tarifa não protege ninguém. Fecha o mercado, desestimula a produtividade, a digitalização e o investimento em eficiência. No fim, todos perdem”, acrescentou.
Tarcísio destacou a importância dos investimentos americanos, em comparação com as empresas brasileiras nos EUA: “A economia americana é 15 vezes maior que a nossa. Então precisamos sentar, colocar algo na mesa e pedir algo em troca. É assim que todo bom negociante faz.”
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Comentários (1)
Marian
23.08.2025 10:27Então seria o momento certo para rever os gastos da máquina estatal, e não deve ser utilizado como desculpa para o fiasco da economia.