Tarcísio sugere “entregar algumas vitórias” a Trump em negociação sobre tarifaço
"Acho que é fundamental compreender um pouco do estilo do presidente americano. É um presidente que vive da economia da atenção", afirmou
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), defendeu nesta segunda, 18, que o governo federal conceda “algumas vitórias” ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para tentar reverter o tarifaço de 50% imposto a produtos brasileiros.
“Acho que é fundamental compreender um pouco do estilo do presidente americano. É um presidente que vive da economia da atenção. Que gosta de sentar com o chefe de Estado, botar um chefe de Estado sentado lá dentro e dizer: ‘Olha, consegui uma vitória’. E ele está querendo colecionar vitórias. Ele quer. Então, por que não entregar algumas vitórias?”, disse, durante evento com empresários em São Paulo.
“O que resolve é sentar à mesa e negociar. Tarifa não protege ninguém. Fecha o mercado, desestimula a produtividade, a digitalização e o investimento em eficiência. No fim, todos perdem”, acrescentou.
Tarcísio destacou a importância dos investimentos americanos, em comparação com as empresas brasileiras nos EUA: “A economia americana é 15 vezes maior que a nossa. Então precisamos sentar, colocar algo na mesa e pedir algo em troca. É assim que todo bom negociante faz.”
Críticas ao governo Lula
Na sexta, 15, o governador de São Paulo já havia criticado a condução do governo Lula sobre o tarifaço.
Segundo ele, a posição do país está “cômoda” demais.
“Não é vergonha, não é humilhação para nenhum chefe de Estado sentar com outro chefe de Estado para chegar a um acordo. Acho que é preciso fazer força para isso, levar de fato argumentos”, disse.
“Está muito cômodo. Você vê que hoje o Trump está conversando com o (presidente da Rússia) Putin — Estados Unidos envolvidos indiretamente na guerra da Ucrânia, o Putin envolvido diretamente —, e os dois estão sentados para conversar.”
Na última quarta-feira, durante evento do BTG Pactual, Tarcísio afirmou que a população não suporta mais “o excesso de gastos, o aumento de impostos, a corrupção, o PT e o presidente Lula” e classificou a situação como uma “crise moral”. Para avançar, disse, bastaria “trocar o piloto”, já que “o carro é bom pra caramba”.
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