Mendonça acompanha Nunes Marques contra condenação de Zambelli por porte de arma
Apesar da divergência, outros seis ministros já formaram maioria pela condenação da parlamentar
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), acompanhou a divergência aberta por Kassio Nunes Marques e votou contra a condenação da deputada Carla Zambelli (PL-SP) por porte ilegal de arma.
O julgamento trata do episódio em que ela perseguiu, com arma em punho, o jornalista Luan Araújo às vésperas do segundo turno das eleições de 2022, em São Paulo.
Apesar de votar pela absolvição da parlamentar, Mendonça defendeu a condenação da parlamentar a oito meses de detenção, em regime inicial aberto, pelo crime de constrangimento ilegal.
Em seu voto, o ministro afirmou que a deputada possuía autorização regular para portar arma, ainda que tenha feito mau uso da licença. No entendimento de Mendonça, a deputada foi alvo de uma “provocação gratuita e contínua”.
“De fato, o comportamento de Luan Araújo não exculpa a ação da acusada, pela qual, portanto, está sendo aqui condenada. Mas seu comportamento prévio, de provocação gratuita e contínua, também se mostrou reprovável e não pode ser olvidado”, disse.
Mendonça também se posicionou contra a cassação imediata do mandato de Zambelli, afirmando que essa decisão cabe à Câmara dos Deputados.
Maioria formada
Acompanharam o relator, Gilmar Mendes, os ministros Cármen Lúcia, Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Cristiano Zanin e Dias Toffoli.
Para Gilmar, a materialidade dos crimes ficou comprovada pelo auto de prisão em flagrante, auto de exibição e apreensão da arma, auto de entrega, vídeos e provas orais colhidas em audiência. “A autoria, por sua vez, também restou devidamente demonstrada ao longo da instrução processual”, pontuou o magistrado.
Faltam votar os ministros Edson Fachin, Luís Roberto Barroso e Luiz Fux.
O julgamento termina às 23h59 da próxima sexta, 22.
Relembre o caso
A perseguição armada em 2022 teve início após Zambelli e o jornalista trocarem provocações durante um ato político nos Jardins, na capital paulista. Junto a um homem armado, a deputada sacou sua arma pessoal e perseguiu Luan até encurralá-lo dentro de um bar, onde se encerrou a discussão sem nenhum disparo.
Na ocasião, apenas Nunes Marques e André Mendonça foram contrários à abertura do processo.
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Comentários (3)
Marian
22.08.2025 08:56Concordo. É um momento de grande violência no país como nunca antes, e vamos ser sinceros, botar o pé para fora de casa, hoje é um risco assombroso . Aliás, até em casa não temos sossego, e o melhor, o irresponsável saiu ileso.
ALDO FERREIRA DE MORAES ARAUJO
22.08.2025 06:55A deputada foi muito destrambelhada (mais uma vez) naquele caso, ela estava com dois seguranças, bastava apenas dar uma bofetada (bem merecida) naquele idiota. O motivo da outra condenação é uma ação totalmente idiota, será que ela achou que o ministro iria preso?
Fabio B
21.08.2025 21:48Na prática, vai acabar se beneficiando da impunidade brasileira, pois mesmo somando com a outra condenação em 15 anos, cumprirá 1/6, que dá uns 2 anos e meio. Depois sai com tornozeleira ou arruma ainda um atestado médico dessas doenças fakes que ela finge ter pra se safar antes. Mas essa pilantra teve muito voto, então depois disso tudo ainda deve conseguir se eleger. E até a multa, com certeza, vai ter otário para fazer pix e ainda gerar um extra para essa picareta.