Clarita Maia na Crusoé: Terrorismo: a guerra semântica de Brasília
Brasil propõe cooperação em inteligência e rastreamento financeiro, mas sem aderir à classificação formal
O governo brasileiro chega à reunião com Trump carregando uma proposta cuidadosamente calibrada: falar de crime organizado sem nunca pronunciar a palavra que mais teme. Essa palavra é terrorismo.
A pauta central de segurança da visita envolve cooperação contra o crime organizado transnacional, o que engloba inteligência financeira, lavagem de dinheiro, tráfico de armas e a atuação de facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV).
São temas que Brasília aceita discutir. O que não se aceita, ao menos não abertamente, é o enquadramento jurídico que Washington deseja impor.
Nesse desenho, o Irã e o Hezbollah permanecem peças centrais. O Hamas aparece no pano de fundo.
Para Washington, eles são componentes do mesmo ecossistema transnacional de segurança que inclui PCC e CV.
A administração Trump avança com uma doutrina hemisférica batizada de Escudo das Américas (Shield of the Americas), oficialmente denominada Coalizão das Américas Contra os Cartéis (ACCC/A3C), que já conta com a adesão de mais da metade dos países das Américas.
Não se trata apenas de uma iniciativa policial: ambiciona ser uma arquitetura doutrinária que funde o combate a cartéis, o rastreamento de redes financeiras ilícitas, a contenção da influência iraniana na América Latina e a cooperação regional de inteligência numa única visão geopolítica.
Lançado há dois meses, embora apresentado como mecanismo de cooperação securitária, possui forte dimensão geopolítica e ideológica. Trump busca reconstruir uma estratégia hemisférica de influência política alinhada…
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