Maristela Basso na Crusoé: Quando o Supremo vai para o WhatsApp
Mensagens entre ministros revelam algo mais preocupante que a grosseria: a transformação de questões institucionais em confrontos pessoais
O Supremo perdeu a linguagem da instituição.
Esta semana, veículos de imprensa divulgaram supostas conversas de WhatsApp entre o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes e seus colegas Luiz Fux e Nunes Marques.
Para Fux, Gilmar escreve as frases: “Isto revela qq coisa menos postura institucional. Espero que nao se repita” e “Soh cuide de atuar como Presidente da turma“.
Para Nunes Marques, o decano escreve: “Todos dizendo q vcs são reféns do andre… ok abram as contas“, “Vc e o Fux parecem submissos“, “Assumam que estão ferrados e saiam dos processos. Abram as contas“, “Vc tem de sair do tse também” e “Já falei com Fux. Eu entendo de Malandro“.
O problema dessas mensagens não está apenas no vocabulário. Está no que elas revelam sobre a deterioração das relações dentro da mais alta Corte do país.
Ministros do Supremo podem divergir — e devem. O que não deveria parecer normal é que questões envolvendo impedimento, suspeição, conduta funcional e processos em julgamento sejam tratadas entre seus integrantes numa linguagem de cobrança pessoal, acusações sobre familiares e advertências recíprocas.
Quando um ministro diz ao outro para “abrir as contas” antes de julgar, a questão deixa de ser apenas privada.
Ou existem fatos objetivos capazes de suscitar impedimento, suspeição ou apuração — e então devem ser tratados pelos mecanismos institucionais correspondentes —, ou não existem.
O WhatsApp não pode funcionar como instância paralela de controle da magistratura.
O episódio é especialmente preocupante porque ocorre no mesmo momento em que o Tribunal enfrenta publicamente…
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