Maristela Basso na Crusoé: Por que alguns homens públicos querem ser milionários?
Não basta mais decidir sobre o mundo dos ricos. É preciso entrar nele
Há uma pergunta sobre o poder que fazemos menos do que deveríamos: por que alguém que já chegou ao topo da vida pública ainda deseja, com tanta intensidade, tornar-se rico?
Não falo, evidentemente, do direito legítimo de qualquer pessoa de constituir patrimônio, investir, poupar ou proporcionar conforto à família. Servidor público não faz voto de pobreza.
Magistrados, ministros, parlamentares e altos funcionários do Estado não precisam viver em austeridade monástica para demonstrar virtude.
A pergunta é outra.
Por que, para alguns homens públicos, o poder parece não bastar?
Eles já possuem aquilo que milhões de pessoas jamais terão: influência, prestígio, acesso, reconhecimento, deferência.
Seus telefonemas são atendidos. Suas opiniões produzem consequências. Suas decisões podem alterar empresas, contratos, eleições, patrimônios e destinos pessoais. Frequentam os centros onde decisões importantes são tomadas e convivem com algumas das pessoas mais poderosas do país.
Ainda assim, em certos casos, surge outra ambição. É preciso também ser milionário.
Talvez porque poder e dinheiro sejam duas linguagens diferentes de uma mesma aspiração humana: a vontade de não depender de ninguém.
Mas há uma diferença fundamental entre eles.
O poder público é emprestado.
O dinheiro é próprio.
O mandato termina. O ministério acaba…
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