Maristela Basso na Crusoé: A universidade que trocou o ensino pela militância
Grevistas da USP programaram uma roda de conversa sobre “o papel da juventude contra o Tarcísio”
A universidade pública brasileira sempre foi um espaço político. E isso nunca constituiu um problema em si.
Universidades existem justamente para produzir pensamento crítico, tensão intelectual e liberdade de debate.
O problema começa quando a política deixa de conviver com o ensino e passa a substituí-lo.
A recente programação divulgada por grupos grevistas da USP talvez seja um retrato quase didático dessa transformação.
Entre as atividades propostas aparecem: “pressionar a reitoria”, confecção de cartazes para marcha política, uma roda de conversa sobre “o papel da juventude contra o Tarcísio” e até um “campeonato de assobio”.
Tudo isso dentro da principal universidade pública do país.
A questão não é moralizar a participação política dos estudantes. Jovens sempre participaram da vida política brasileira — e frequentemente tiveram papel importante nela.
O ponto mais delicado é outro: em que momento uma universidade deixa de funcionar prioritariamente como espaço de formação acadêmica e passa a operar como estrutura permanente de mobilização ideológica?
Essa distinção importa.
O problema surge quando a epistemologia do conhecimento jurídico cede espaço à lógica da militância permanente, da manipulação política ou da substituição da reflexão teórica por slogans ideológicos.
A universidade perde sua centralidade quando abandona sua vocação intelectual para transformar-se apenas em arena de disputas identitárias ou partidárias.
Universidades públicas não pertencem a grupos militantes. Elas pertencem à sociedade brasileira…
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Comentários (2)
Rosa
24.05.2026 12:11Que triste país é este..... espero que um dia isso tudo passe.
Marian
23.05.2026 20:42Eram excelentes, mas acabou.