Marinho defende jornada reduzida e rebate críticas do setor privado
Ministro do Trabalho atribui resistência empresarial ao desconforto com mudanças e apresenta dados de produtividade para sustentar proposta
O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, defendeu nesta sexta-feira, 27, o fim da escala 6×1 e contestou as objeções levantadas por representantes do setor privado.
A declaração foi feita no Rio de Janeiro, durante cerimônia de assinatura de parceria entre o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e o programa SEJA, da Fundação Roberto Marinho, voltado à preparação de jovens e adultos para o Encceja.
“Isso serve para o empresariado, que olha com ceticismo porque tem medo da mudança, olhar que aqui tem uma grande oportunidade de melhorar a qualidade do ambiente de trabalho. Um bom ambiente de trabalho evita absenteísmo, evita doença mental, evita acidente do trabalho e melhora a qualidade e a produtividade”, afirmou Marinho.
Para o ministro, com mais horas disponíveis fora do expediente, os empregados teriam condições de buscar qualificação: “As pessoas precisam de tempo, de oxigênio, de atenção, precisam estudar, se aperfeiçoar. Quanto mais as pessoas têm conhecimento, mais elas preenchem as vagas de maior durabilidade no seu vínculo de emprego”.
Marinho ainda abordou a relação entre salário, consumo e produtividade, ao criticar o que classificou como uma visão de “pequena profundidade” de parte do empresariado brasileiro sobre remuneração: “Temos que chamar a atenção deles para olhar o trabalhador como seu consumidor. Se você remunerar melhor, ele vai consumir mais, vai render mais, vai produzir mais e você vai ganhar mais”.
Resistência e propostas em tramitação
No Congresso Nacional, duas propostas de emenda constitucional concentram o debate sobre a redução da jornada. A PEC da deputada Erika Hilton (Psol-SP) e a do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) propõem limitar a carga horária semanal a 36 horas. Há ainda defensores de uma redução gradual, para 40 ou 42 horas semanais.
O IBGE divulgou os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), que apontaram alta da taxa de desemprego para 5,8%. Marinho atribuiu o resultado a fatores sazonais associados ao Carnaval, período em que há redução no número de dias úteis: “Essa variação é plenamente natural, se você olhar o ano a ano, de janeiro a abril há uma variação”, disse, acrescentando que o país atravessa o “melhor momento da história do ponto de vista de gerar empregos”.
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