“Marina jamais será contra”, diz Lula sobre exploração da foz do Amazonas
A declaração foi dada dois dias após o petista reclamar do "lenga-lenga" do Ibama para autorizar os estudos de viabilidade técnica da Petrobras
Depois de reclamar do “lenga-lenga” do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), o presidente Lula (PT, foto) afirmou nesta sexta-feira, 14, que a ministra Marina Silva, do Meio Ambiente, “jamais será contra” a exploração de novos poços de petróleo na foz do rio Amazonas.
“Nós vamos explorar esse petróleo, vamos fazer pesquisa. Nós pagamos uma sonda, 500 mil dólares por dia, você acha pouco? E essa sonda está paralisada. Precisamos colocar ela para funcionar, para fazer pesquisa. Se não achar petróleo, tudo bem, vamos procurar em outro lugar. Mas se tiver, temos que saber como explorá-lo”, disse o petista em entrevista à Rádio Clube do Pará.
“Tenho certeza que a Marina [Silva, ministra do Meio Ambiente] jamais será contra, porque a Marina é uma pessoa muito inteligente. O que ela quer, não é ‘não fazer’, mas é ‘como fazer’. Isso é uma coisa que eu quero, ela quer e você quer. Como fazer para a gente não ser predatório com a nossa querida Amazônia. Por isso, acho que a gente vai fazer”, continuou.
Lenga-lenga, Lula?
Na quarta, 12, Lula disse que o Ibama, instituto vinculado ao Ministério do Meio Ambiente de Marina Silva, estava parecendo um órgão contra o governo por não liberar os estudos de viabilidade técnica da Petrobras.
“Se depois a gente vai explorar é outra discussão. O que a gente não pode ficar é nesse lenga-lenga. O Ibama é um órgão do governo parecendo que é um órgão contra o governo”, disse o petista em entrevista à Rádio Diário FM, de Macapá.
Segundo Lula, o Ibama irá se reunir com a Casa Civil até a semana que vem para discutir a autorização.
“Inadmissível pressão política”
A Associação Nacional dos Servidores da Carreira de Especialista em Meio Ambiente (ASCEMA), do Ibama rebateu a fala do presidente Lula (PT).
“As declarações que desqualificam o Ibama e seus servidores desrespeitam o papel fundamental da instituição na defesa do interesse público, que é seu objetivo final, independente do governo da vez“, diz trecho da nota oficial.
Em outra parte do comunicado, os servidores dizem ser “inadmissível qualquer tipo de pressão política” que interfira no trabalho técnico do Ibama.
“Nesse sentido, é inadmissível qualquer tipo de pressão política que busque interferir no trabalho técnico do órgão, especialmente quando se trata de uma decisão que pode resultar em impactos ambientais irreversíveis“, escrevem os associados.
Os servidores defenderam que o Ibama se torne órgão de Estado para não ficar “sujeito a interferências políticas como a que o presidente Lula tenta implementar.”
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