Márcio Coimbra na Crusoé: Soberania em xeque
Brasil deveria fazer triagem de investimentos estrangeiros e impedir que crime organizado se infiltre no poder estatal
A soberania de uma nação costuma ser medida pela rigidez de suas fronteiras e pela solidez de suas instituições.
No entanto, o cenário contemporâneo impôs ao Brasil um desafio de natureza peculiar, que não se manifesta por meio de invasões territoriais clássicas, mas por uma erosão silenciosa das estruturas de governança.
O crime organizado, representado primordialmente pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) e pelo Comando Vermelho (CV), atravessa uma metamorfose que o afasta da delinquência comum e o aproxima de um modelo de poder paraestatal.
Essa evolução não se restringe ao controle de áreas periféricas, penetra as veias do Estado, infiltrando-se em setores estratégicos da administração pública e na economia formal, criando uma teia de influência que desafia a capacidade de resposta das ferramentas tradicionais.
O que se observa hoje é um processo de camuflagem institucional, no qual organizações criminosas utilizam a estrutura do próprio Estado para expandir seus domínios.
Por meio da gestão indireta de serviços essenciais — como transporte público urbano, coleta de resíduos e até administração de unidades de saúde por meio de organizações sociais —, o crime organizado sequestra orçamentos públicos e converte verbas de impostos em capital de giro para operações ilícitas.
Esse fenômeno aponta para um risco latente de “mexicanização“, termo que descreve a consolidação de feudos territoriais e administrativos, em que o poder de fato das facções mitiga a autoridade republicana, além da cooptação de autoridades locais e federais e nos três poderes que fornecem lastro ao crime.
Estamos diante da definição clássica de crime organizado, ou seja, grupos que se infiltram no poder estatal em suas posições de influência e comando.
Quando a política local e a economia de serviços passam a gravitar em torno de interesses escusos, a integridade da democracia é posta em xeque, exigindo uma…
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