Magno Karl na Crusoé: O que acontece com o Rio de Janeiro?
De capital federal a caso perdido na política e na segurança pública, nosso maior cartão-postal se tornou exemplo de tudo que pode dar errado com o Brasil
Há algo de pedagogicamente útil na crise do Rio de Janeiro. Não porque a destruição institucional seja instrutiva em si, mas porque o estado reúne, com uma concentração quase didática, todos os vetores de colapso que o Brasil produz em escala menor e com mais dissimulação em outras unidades da federação.
No Rio, tudo que o país tem de melhor aparece em versão mais concentrada: a paisagem, a diversidade cultural, a produção intelectual.
Tudo que tem de pior, também. A diferença é que, no Rio, o lado ruim dispensa disfarce.
Na última semana de março, o governador Cláudio Castro renunciou na véspera de seu julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), já com o placar desfavorável e o mandato praticamente perdido.
A estratégia da renúncia era fazer o processo, na linguagem jurídica, “perder o objeto“.
Assim, a cassação formal seria evitada. Não funcionou.
O tribunal o condenou por 5 a 2, tornando-o inelegível por 8 anos, por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022.
Segundo as investigações, cerca de 27,6 mil funcionários temporários teriam sido contratados sem transparência na Universidade do Estado do Rio de Janeiro e na Fundação Ceperj, atuando como cabos eleitorais em prol da chapa reeleita naquele ano.
O mecanismo não era exatamente refinado. O governo oferecia empregos irregulares em troca de apoio eleitoral.
Patrimonialismo nacional em sua forma mais tosca e direta, sem a mediação de contratos superfaturados ou contas no exterior que exigissem complicada engenharia financeira.
Mas Castro não é a causa dos problemas do Rio. Ele é apenas o episódio recente de uma série mais longa.
Longa série
Enquanto governador, Sérgio Cabral prometia “pacificar” o Rio.
Terminou preso pela Operação Calicute, acusado de chefiar um esquema bilionário de propinas.
Seu sucessor, Luiz Fernando Pezão, herdou e ajudou a afundar o estado, também preso…
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