Lula: “Foi a campanha menos organizada desde 1989”
Petista afirmou que campanha ficou "aquém" do esperado
O presidente Lula (PT) admitiu nesta quarta-feira, 7, que sua campanha à reeleição foi a “menos organizada” desde 1989, quando disputou pela primeira vez a Presidência da República.
A declaração foi feita durante um encontro com parlamentares, após o petista terminar a primeira etapa da eleição atrás de Flávio Bolsonaro (PL).
“Eu acho que nós fizemos uma campanha aquém da minha possibilidade. Eu acho que nós poderíamos ter feito mais. Eu falei para o Edinho (presidente do PT) que essa foi a campanha menos organizada desde 1989. E normalmente a gente colhe o que a gente planta”, afirmou Lula.
Abstenções
A estratégia desenhada pelo Partido dos Trabalhadores (PT) para tentar reverter a derrota no primeiro turno inclui uma campanha da militância petista para reduzir a abstenção, que foi de 21% no primeiro turno.
Uma cartilha foi divulgada pelas redes sociais para orientar a militância nesse tête-à-tête com a população.
Contudo, reduzir o número de abstenção é uma tarefa inglória.
Boa parte do eleitor brasileiro que não foi votar no dia 4 de outubro fez isso de maneira consciente. Prova disso é a porcentagem baixa de brancos e nulos na comparação com outras eleições. Foram 4,5% este ano.
Na década de 1990, o índice de brancos e nulos era de 19%. Ou seja, o eleitor ia votar a contragosto. Isso não acontece mais.
Mas, mesmo que o PT consiga reduzir a abstenção, nada garante que Lula será beneficiado por isso.
“A abstenção foi maior em São Paulo do que no Nordeste brasileiro. São Paulo teve 22% de abstenção, enquanto estados como o Ceará tiveram 17%“, afirmou Bruno Soller, cientista político da Realtime Big Data, parceira de O Antagonista no Lulômetro.
Segundo ele, muitos eleitores do estado de São Paulo queriam votar em candidatos da terceira via, como Romeu Zema, Auusto Cury, Renan Santos ou Ronaldo Caiado, mas desistiram ao ver Flávio e Lula à frente das pesquisas.
Caso eles saiam para votar no próximo dia 25, a maior parte irá optar por Flávio.
“Fazer uma campanha para as pessoas que não quiseram votar no dia 4, votarem no dia 25, não garante que elas votarão no Lula. A estratégia do presidente é muito equivocada nesse sentido. Não acredito que ele vá conseguir reverter parte dessa abstenção para o seu voto. E, se alguém for votar, a ideia é que tenha um equilíbrio. Parte vai votar no Flávio, parte vai votar no Lula e parte pode ir lá só para fazer um voto de protesto e anular. Não me parece a melhor saída. Aliás, acho que o presidente Lula está sem saída nesse segundo turno. Vai ser muito difícil ele reverter voto“, afirmou Soller no Papo Antagonista.
“O presidente está sem saída para este segundo turno. Vai ser muito difícil ele reverter voto.”
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