Lula e Itamaraty se calam sobre vitória de direitista em Honduras
Candidata apoiada pela presidente Xiomara Castro, aliada do petista, terminou em terceiro lugar
O presidente Lula (PT) e o Ministério das Relações Exteriores ainda não se manifestaram sobre a vitória do ex-prefeito de Tegucigapla Nasry “Tito” Asfura nas eleições presidenciais em Honduras.
O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) proclamou o resultado na noite de quarta, 24.
Asfura, que teve 40,3% dos votos, contou com apoio público do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante a campanha.
Antes de sua vitória, Honduras estava sob o governo de esquerda de Xiomara Castro, do partido Libre. A candidata governista, Rixi Moncada, terminou a disputa em terceiro lugar.
O resultado oficial foi anunciado quase um mês após a votação, realizada em 30 de novembro, em razão de um processo de recontagem de milhares de atas com supostas irregularidades.
Com 99,2% das urnas apuradas, o plenário do órgão eleitoral aprovou um relatório que propõe declarar o vencedor do pleito “com os dados que até este momento estão disponíveis”.
Polarização e influência americana
Trump tem a ideia de consolidar um bloco alinhado à direita na América Latina. O presidente americano chegou a avisar sobre as “consequências graves” para Honduras, caso os resultados favoráveis a Asfura fossem alterados.
A intervenção americana também envolveu o indulto concedido ao ex-presidente hondurenho Juan Orlando Hernández, do mesmo partido de Asfura, que cumpria pena nos Estados Unidos por delitos de narcotráfico.
A atual presidente de Honduras, Xiomara Castro, insiste na culpabilidade de Hernández e considera a “interferência” de Trump, junto a supostas irregularidades como coação eleitoral por grupos criminosos, um “golpe eleitoral”.
Lula e Xiomara
Em novembro, Lula reuniu-se com Xiomara em Belém, no Pará, à margem da COP30.
Na ocasião, os dois presidentes concordaram em fortalecer a cooperação entre os países.
Lula expressou disposição de colaborar com Honduras em iniciativas que envolvam cooperação técnica, transferência de tecnologia, energia limpa, infraestrutura, conservação da biodiversidade e desenvolvimento sustentável.
Durante a visita, Xiomara condecorou o presidente brasileiro com a Ordem de Francisco Morazán, no grau de Grã-Cruz com Placa de Ouro, a mais alta honraria concedida pelo Estado hondurenho a líderes que contribuíram para o fortalecimento da democracia e da justiça social.
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