Lula adia aprovação de embaixador dos EUA para depois das eleições
"Querem que eu apressadamente aceite o agrément do embaixador deles, mas só depois das eleições", afirmou o petista
O presidente Lula (PT) afirmou nesta sexta-feira, 14, que só concederá o agrément para Daniel Perez, embaixador escolhido pelos Estados Unidos para representar o país em solo brasileiro, após a eleição de outubro.
Lula questionou a demora para o governo Trump indicar o nome do diplomata.
“Eles (EUA) queriam mandar duas pessoas para vir para cá se meter e estudar as urnas. Não demos visto. Querem que eu apressadamente aceite o agrément do embaixador deles, mas só depois das eleições. Se o embaixador dos EUA é importante no Brasil, por que ficaram um ano e seis meses sem mandar embaixador para cá e querem mandar faltando 45 dias para eleições?”, disse ao podcast Não Inviabilize.
O agrément é um mecanismo diplomático, previsto na Convenção de Viena, em que o país de origem solicita uma autorização confidencial do país de destino antes de anunciar o nome publicamente.
Tarifaço
Lula também afirmou que está tentando conversar com o presidente americano, Donald Trump, sobre a aplicação do tarifaço e as eleições brasileiras.
Na quinta-feira, 13, o governo brasileiro deu início ao processo formal da Lei de Reciprocidade, com a notificação encaminhada aos EUA.
“E estou tentando falar com ele (Trump), manter contato. Quero ter conversa tête-à-tête com ele. E vou dizer: “Não se meta nos negócios do Brasil e sobretudo nas eleições. E se se meter, vão perder.”
Segundo Lula, o presidente Trump “é o melhor de todos eles”, em referência à equipe americana.
Daniel Perez
Indicado em junho, Perez é cubano-americano de primeira geração, nascido em Nova York e radicado na Flórida desde 1993, quando se mudou para o estado com a família.
Ele foi eleito pela primeira vez para a legislatura estadual em 2017 e chegou à presidência da Câmara de Representantes da Flórida. Segundo seu site oficial, não há registro de experiência prévia em cargos ligados à política externa.
A indicação aproxima Perez do secretário de Estado americano, Marco Rubio, também natural da Flórida e filho de cubanos.
Com a chegada de um novo embaixador, os Estados Unidos voltam a ter representação plena em Brasília, posto vago desde a saída de Elizabeth Bagley, indicada pelo ex-presidente Joe Biden. Atualmente, a embaixada é chefiada interinamente por Gabriel Escobar, encarregado de negócios.
Leia também: Senado dos EUA aprova Daniel Perez como embaixador no Brasil
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