Lula acusa família Bolsonaro de “entreguismo”
Petista critica manifestação enviada por Flávio ao governo americano e diz que família quer entregar Pix
O presidente Lula (PT) acusou nesta quinta-feira, 2, a família Bolsonaro de “entreguismo” após senador Flávio Bolsonaro (PL) enviou uma manifestação obrigatória ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) pedindo suspensão da aplicação, por parte do governo norte-americano, de novas tarifas contra exportações brasileiras.
No documento, Flávio também sugeriu ao governo Trump que o sistema de pagamentos Pix fique fora das discussões do Brics.
Em postagem no X, Lula afirmou que o pedido para “adiar” a aplicação do tarifaço é “mais uma atitude de traidores da Pátria.”
“É inaceitável que a família Bolsonaro, com o seu entreguismo, queira submeter o Brasil aos interesses dos Estados Unidos, como fica claro no documento enviado hoje por um de seus integrantes ao governo norte-americano. Nós sempre vamos dialogar de igual pra igual com qualquer nação do mundo. Pedir que o tarifaço contra o nosso país seja adiado para depois das eleições é mais uma atitude de traidores da Pátria. Nunca houve e não há qualquer justificativa para tarifaço agora ou depois”, escreveu o presidente.
Pix e Mercosul
Na mesma publicação, Lula também acusou a família Bolsonaro de defender publicamente o tarifaço ao Brasil e o fim do bloco Mercosul.
Segundo o petista, eles “querem entregar o Pix” aos estrangeiros.
“O mais absurdo é saber que a origem disso tudo foi motivada pela própria família Bolsonaro que defendeu publicamente o aumento de tarifas contra os produtos brasileiros. Defender o fim do Mercosul, o bloco econômico mais importante da América Latina e que acaba de firmar um acordo histórico com a União Europeia, é outro ataque ao interesse do povo brasileiro. Como se não bastasse, querem entregar o Pix a interesses estrangeiros. Não vão conseguir. O Pix é uma conquista do Brasil e não vamos abrir mão dele. Nossa Pátria não está à venda. Nossa soberania é inegociável. O Brasil é dos brasileiros”, concluiu.
A manifestação de Flávio
Como mostramos, em maio, o Escritório do Representante de Comércio dos EUA propôs uma tarifa de 25% sobre importações brasileiras, após concluir que uma série de atos, políticas e práticas do governo brasileiro são “irrazoáveis” e “oneram ou restringem” o comércio americano.
A decisão foi respaldada pela seção 301 da Lei de Comércio de 1974.
No documento encaminhado ao governo dos Estados Unidos, o pré-candidato à Presidência faz questão de esclarecer que as tarifas propostas recompensariam o atual governo brasileiro pela exata estratégia que ele tem perseguido: protelar negociações sérias, provocar Washington para gerar uma retaliação e, em seguida, converter essa retaliação em uma vitória política interna.
Flávio argumenta que, por mais de oitenta anos, os Estados Unidos e o Brasil foram parceiros de primeira ordem e apenas recentemente o governo do Brasil afastou o relacionamento do hemisfério ao qual o Brasil pertence.
“O governo atual teria esse período para se engajar em negociações de boa-fé, sem a perspectiva de dividendos eleitorais, ou enfrentaria as consequências da retomada dessas ações. Esse mesmo período daria à oposição no Congresso o tempo e a legitimidade para pressionar o governo atual a intensificar seus próprios esforços de negociação de boa-fé”, disse Flávio na carta encaminhada ao governo dos EUA.
Flávio Bolsonaro se inscreveu para participar da audiência pública que será promovida governo dos Estados Unidos, no dia 6 de julho de 2026, para defender o Brasil da proposta de aplicação do tarifaço.
O próprio secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou em carta que a oportunidade, conduzida pelo Representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, é o canal institucional legítimo para discutir o tema. É justamente essa via que o governo Lula se recusou a utilizar para defender as empresas brasileiras e o Brasil.
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