Lindbergh culpa o mercado pela pressão sobre os juros
Petista acusa investidores de “sabotar” a economia e diz que projeções para a Selic refletem motivação política, não critérios técnicos
O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) encontrou no mercado financeiro um responsável pela turbulência registrada após a reeleição do presidente Lula (PT). Em publicação nas redes sociais nesta segunda-feira, 2, o petista acusou investidores de tentar sabotar a economia brasileira e cobrou do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, uma redução da taxa básica de juros.
O alvo da reclamação foi a mudança nas expectativas para a Selic depois da vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no segundo turno. Segundo Lindbergh, antes da eleição, o mercado trabalhava com a possibilidade de um corte de 0,5 ponto percentual ainda neste ano. Depois do resultado das urnas, as projeções passaram a apontar para a manutenção dos juros em 13,75% ao ano.
“É escandaloso! Não há nada de técnico nisso. Estão fazendo política e sabotando a nossa economia”, escreveu o deputado no X.
Na sequência, Lindbergh cobrou que a decisão sobre os juros leve em conta indicadores como inflação, atividade econômica, emprego e crédito, e não o que chamou de “humor do mercado financeiro”. Também acusou investidores de recorrer a “chantagens, ameaças ou ao terrorismo financeiro” para influenciar a política monetária.
Autonomia do BC entra na mira
O deputado também voltou a criticar a autonomia do Banco Central. Para ele, o modelo permite que o mercado financeiro influencie decisões sobre juros e câmbio, mesmo quando elas não correspondem ao programa escolhido nas urnas.
“O mercado, de maioria bolsonarista, cria as expectativas e as autorrealiza. A autonomia do Banco Central tem servido apenas para que o mercado dite as regras da política monetária e cambial, totalmente descoladas dos programas eleitos pelas urnas”, afirmou.
A avaliação de Lindbergh, porém, é uma interpretação política sobre o comportamento dos agentes financeiros. O Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, reúne projeções de instituições do mercado, mas não representa uma decisão da autoridade monetária. A definição da Selic cabe ao Comitê de Política Monetária (Copom).
Reação dos mercados
A discussão ocorre após uma semana de turbulência nos mercados brasileiros. Na sexta-feira, 30, o Ibovespa fechou em queda de 0,75%, aos 167,9 mil pontos. Na sessão anterior, o índice já havia recuado 1,06%.
O dólar também registrou alta, enquanto a Bolsa chegou a acionar o circuit breaker, mecanismo que interrompe temporariamente as negociações diante de oscilações acentuadas.
Uma pesquisa da Reuters divulgada nesta segunda-feira apontou que 33 dos 48 analistas consultados esperavam a manutenção da Selic em 13,75% na reunião do Copom desta semana. Entre as justificativas citadas estavam as incertezas sobre a política fiscal do próximo governo e a reação dos mercados ao resultado eleitoral.
Assim, enquanto Lindbergh atribui a mudança nas expectativas a uma atuação política do mercado, analistas apontam preocupações com o cenário econômico e fiscal.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)