Líder do PL defende decisão de Zambelli: “Perseguir conservadores virou rotina”
Deputados de esquerda também se manifestaram; líder do PT disse que pedirá "alerta vermelho" à Interpol para prender deputada
O líder do Partido Liberal (PL) na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante (RJ), manifestou nesta terça-feira, 3, “total e irrestrita solidariedade“ à decisão da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) de deixar o Brasil e pedir licença do mandato.
O anúncio da parlamentar ocorre após a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condená-la a 10 anos de prisão, perda do mandato e ao pagamento de multa, por invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e inserção de documentos falsos.
Sóstenes comentou a decisão de Zambelli por meio de publicações no X (antigo Twitter). Segundo o congressista, “a mulher mais votada do Brasil na última eleição foi forçada a deixar o país – não por crime, mas por opinião”.
Ele ainda criticou a atuação da Justiça: “Mais uma vez, vemos o Judiciário ultrapassar os limites constitucionais para perseguir parlamentares conservadores. Quando a voz da maioria é silenciada por decisões de poucos, não estamos mais em uma democracia – estamos em estado de exceção”.
De acordo com o líder do PL, o processo contra Zambelli sobre porte ilegal de arma de fogo “é mais uma prova da escalada autoritária que vivemos”.
“Sem trânsito em julgado, com base em interpretações subjetivas, querem cassar uma mulher que teve mais de 1 milhão de votos – por ‘porte irregular’ de uma arma registrada, sem disparo, e sem feridos. Perseguir conservadores virou rotina. Mas calar a vontade popular jamais será normal”.
O parlamentar pontua “a liberdade de expressão e a soberania do voto não podem ser anuladas por narrativas políticas”.
Ele ainda deseja boas-vindas à mãe e ao filho da deputado à vida pública.
Repercussão
Congressistas de esquerda também se manifestaram sobre a decisão de Carla Zambelli. “Todo bolsonarista é, antes de tudo, um covarde? Zambelli foi ‘valente’ para perseguir, de arma na mão, um homem negro que a criticou. E se mostra covarde para enfrentar um processo judicial e prestar contas à Justiça“, escreveu o primeiro vice-líder do governo na Câmara, Alencar Santana (PT-SP).
“Tal qual Jair Bolsonaro, que fugiu antes da posse do presidente Lula, à espera da consumação do golpe, o que não ocorreu. Depois, se escondeu na Embaixada da Hungria, com medo de ser preso. O seu filho Eduardo, outro covarde, saiu fugido com o rabo entre as pernas para os Estados Unidos. São tigrões nas redes ou quando estão armados. Mas não passam de tchutchucas quando a Justiça chega perto deles”, complementou.
Já a deputada Erika Hilton (Psol-SP) disse que a atitude de Zambelli “é bem pior” do que simplesmente deixar o Brasil. “Se trata de uma pessoa condenada a 10 anos de prisão por falsidade ideológica e por invadir o sistema e adulterar documentos do CNJ. O que Carla Zambelli fez foi fugir da justiça brasileira“, acrescentou.
O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), afirmou que acionará a Interpol: “Zambelli fugiu. Vamos pedir alerta vermelho para a Interpol para localizar, prender e extraditar. Essa turma é um leão pra atacar a democracia e covarde na hora de responder por seus crimes! Não tenho dúvida que Bolsonaro pode ir pelo mesmo caminho. Não podemos permitir uma fuga de uma eventual condenação por golpe de Estado. A PGR tem todos os instrumentos pra impedir isso: Cassar passaporte, tornozeleira eletrônica ou pedir uma prisão preventiva!”.
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