Líder do governo Lula quer “ajuste geral” após derrubada do IOF
Para José Guimarães, a derrubada do IOF exige uma "recalibragem" na relação que "passa pelo presidente Lula"
Diante da aprovação do projeto que susta os efeitos dos decretos editados pelo governo para aumentar o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), o líder do governo Lula na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE), defendeu um “ajuste geral” na base aliada.
“Eu defendo um ajuste geral da base, inclusive, da relação aqui dentro. Tanto da Câmara como do Senado, porque o problema hoje ocorre nas duas Casas”, disse Guimarães em entrevista ao jornal O Globo.
“Não concordo com a tese de que estão rompidas as relações. Houve um problema político, não podemos esconder. É real. É uma derrota. Mas essa derrota não é o fim do mundo, nem o fim dos tempos. Exige uma recalibragem da relação”, continuou.
Questionado sobre quem passaria essa “recalibragem”, José Guimarães afirmou: “Sobretudo passa pelo presidente Lula.”
De quem é a culpa?
José Guimarães negou que tenha faltado uma presença mais contundente de Lula na articulação.
“O presidente Lula fez várias viagens, tem tido um diálogo permanente com os dois presidentes. Não é problema do presidente, pelo contrário. É problema de concepção. Como é que enfrenta? Apareceu o déficit, como é que faz? Para manter o arcabouço, como é que faz? Tem que cortar. Foi isso que o Haddad fez. Qual é a solução? Alguém tem que apresentar”, afirmou.
“Não, não teve erro. Teve lentidão nos encaminhamentos”, acrescentou, rechaçando falha na articulação política.
E Haddad?
O petista também isentou o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, de responsabilidade por ter feito o decreto do IOF em 22 de maio e depois recuado.
“O recuo foi solicitado. Ele atendeu uma diretriz. E, na medida provisória que veio para cá, já tem quatro itens de cortes gasto. Já dá em torno de 10 e 20 bilhões de reais este ano e no próximo ano. Agora é o seguinte: baixa a poeira, senta e discute como fica daqui para frente.”