Letícia Barros na Crusoé: A régua que a máfia tem e o STF perdeu
Ministros da Corte têm fôlego de sobra para brigar sobre rito e nenhuma pressa em combater a corrupção que assola o país
Em uma terça-feira histórica, no dia 15 de setembro, os dez ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) posicionaram-se em suas confortáveis poltronas de cor caramelo para compor o plenário.
A pauta, embora escandalosa, era simples: autorizar, ou não, a investigação de Alexandre de Moraes, após uma quebra de sigilo apontar conversas pessoais com o banqueiro Daniel Vorcaro.
“Precisa mesmo de alguém empurrando as cadeiras para que os ministros se sentem?“
Esse foi o comentário de apenas um dos milhares de brasileiros indignados que acompanhavam a sessão. Essa foi a primeira percepção deixada pelos minutos iniciais de transmissão: o servilismo e o protocolo exagerado com quem está acima de tudo e de todos.
O ministro Edson Fachin, atual presidente da Corte, iniciou o seu discurso falando sobre sensatez, decoro e serenidade.
Evocou o 8 de janeiro, alegando que o Supremo agiu em conformidade com a Constituição Federal.
Suscitou a necessidade de resistir à violência do arbítrio. Um discurso que, embora tenha o objetivo de exibir seriedade e confiança, apenas escancarou o contraste entre uma atuação genuinamente constitucional e o espetáculo de autopreservação que tomaria conta do plenário nas horas seguintes.
A sessão iniciou-se com o objetivo de reconhecer, ou não, indícios suficientes para abrir investigação contra Moraes.
O que estava em jogo não era condenar, nem afastar ninguém do cargo. Era apenas decidir se, com base em indicativos de envolvimento de um ministro do Supremo no maior escândalo bancário do país, caberia a abertura de uma investigação – algo que, indubitavelmente, não deveria nem ser uma questão a ser discutida.
Em uma República caracterizada pela troca de favores e pelo compadrio político, os ministros Kassio Nunes Marques e Dias Toffoli escusaram-se da discussão.
O que se seguiu a partir daí foi a ilustração de uma Corte com fôlego de sobra para brigar sobre rito e nenhuma pressa em combater a corrupção que assola o país.
Durante uma tarde inteira, o povo brasileiro foi obrigado a assistir a um circo televisionado em tempo real: bate-boca, piadas, risadas e…
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