Leonardo Barreto na Crusoé: Estamos todos bêbados
Líderes de partido assumem saber que ainda há três ou quatro bombas para explodir e dão prazo para acontecer
Lembro-me bem de ouvir histórias ou estórias sobre os momentos de decadência de Roma e ficar imaginando as inúmeras orgias que suas elites promoviam, sem imaginar que tudo estava prestes a derreter. A mais curiosa dessas histórias era a do cavalo que foi nomeado cônsul pelo imperador Calígula.
Assistindo à sessão que aprovou o fim da escala 6×1 pela Câmara dos Deputados nesta semana, era impossível não associar o espetáculo ao fuzuê decadente dos nossos patrícios – para quem não sabe, Brasília se autointitulou cidade-irmã de Roma, inclusive com direito a uma estátua da loba amamentando Rômulo e Remo, localizada à frente do Palácio do Buriti, sede do governo local.
Em meio a deputados fantasiados dizendo que o fim da escala 6×1 permitirá aos trabalhadores fazer mais sexo e discursando sobre depilação íntima, 461 deputados alteraram a legislação trabalhista a tempo de ainda ser aplicada nas eleições de outubro. No meio da confusão, ninguém tem a mínima ideia sobre os impactos econômicos que foram contratados.
O Centro de Liderança Pública (CLP) fez uma pesquisa sobre países com perfil parecido com o Brasil que fizeram reformas na sua legislação de jornada de trabalho e encontrou que o tempo médio de transição foi de cinco anos. No Brasil, o período acordado pelos deputados foi de 60 dias.
Como “estratégia” para evitar a aprovação da PEC, a oposição, que tem a maioria dos parlamentares, sugeriu na última hora que se aprovasse a jornada 4×3. Segundo seus cálculos, ser mais irresponsável que o governo seria a melhor forma de constrangê-lo. No final, todos votaram pela proposta patrocinada pelo Planalto.
O presidente da Casa, Hugo Motta, trocou emprestar o peso da presidência da Câmara ao projeto pelo apoio de Lula ao seu pai, que será candidato ao Senado pela Paraíba.
Eis o custo de uma cadeira em Brasília para o pai de Motta: a desorganização de milhões de empresas Brasil a fora.
O contexto é o governo federal injetando entre 144 bilhões de reais e 227 bilhões de reais em programas populistas, como financiamento de endividados de motoristas de aplicativo.
Os preços dos combustíveis, aquecidos no mundo inteiro, estão tabelados por direcionamento…
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