“Juiz e vítima, mais uma vez”, diz Novo sobre Moraes
Sigla repudia investigação sigilosa no STF contra contador preso por suspeita de vazamento de dados de ministros
O partido Novo criticou nesta segunda-feira, 23, a existência de mais um processo sigiloso tramitando no Supremo Tribunal Federal (STF), que foi tornado público em uma reportagem do jornal Folha de S.Paulo.
O contador Washington Travassos de Azevedo está preso há pouco mais de uma semana, sob a suspeita de vazar dados de ministros do STF e outras autoridades. O relator do caso do contador é Alexandre de Moraes, que já tinha imposto medidas cautelares a quatro funcionários da Receita Federal investigados por suposto vazamento de informações.
Em postagem no X, a sigla aponta que Moraes volta a atuar como “juiz e vítima”.
“Moraes manda prender contador por suspeita de vazamento de dados de ministros usando o interminável e sigiloso inquérito das fake news. Se você acha que foi vítima, procura a polícia e torce. Se eles acham, investigam e prendem. “Justiça” VIP”, escreveu.
Sigilo máximo
O processo tramita sob o maior nível de sigilo no STF, sob a alegação de ter “informações sensíveis da Receita Federal e Coaf”.
É o mesmo que ocorreu no caso do Banco Master, ao qual o ministro Dias Toffoli também impôs o nível 4 de sigilo, que bloqueia a divulgação do avanço do caso e mesmo quem é o relator, sob a alegação de evitar vazamentos.
Toffoli, que é sócio de uma empresa que fez negócios com o Master, acabou deixando a relatoria sem se declarar suspeito para atuar no caso — ele só se admitiu suspeito dias depois, para não participar do julgamento sobre a manutenção da prisão preventiva de Daniel Vorcaro, dono do Master.
Moraes
O relator do caso do contador é Alexandre de Moraes, que já tinha imposto medidas cautelares a quatro funcionários da Receita Federal suspeitos de vazar dados de ministros.
Os atuais níveis de sigilo no STF foram definidos na resolução 878/2025, de julho de 2025. O tribunal não informou à Folha sobre quantos processos já receberam o nível 4.
O advogado do contador preso, Eric Cwajgenbaum disse que não teve acesso a nenhuma das duas decisões sobre seu cliente, tanto a que lhe impôs usar tornozeleira eletrônica e apreendeu seu passaporte quanto à de prisão preventiva.
“Uma semana se passou sem que nenhum requerimento de acesso tenha sido respondido. O gabinete do ministro informou por email que não há disponibilidade de data para despachar e nem mesmo a decisão que decretou a prisão preventiva foi exibida. Já se vão quase três semanas sem que os meus requerimentos fossem sequer apreciados. O caso é grave. As violações de prerrogativas são muitas”, disse o defensor ao jornal.
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