Jovem é esfaqueada no pescoço no RN; polícia apura motivação política
Namorado de 18 anos foi preso em flagrante na madrugada de 26 de outubro; vítima deixou a UTI nesta sexta-feira
A Polícia Civil do Rio Grande do Norte prendeu em flagrante Eduardo Ronald Ferreira, 18, suspeito de ferir com faca o pescoço da namorada, Clara Thaís Silva Maia, também de 18 anos, em Umarizal. A corporação investiga se o ataque tem relação com o resultado da eleição presidencial. A prisão preventiva foi solicitada.
Prisão e investigação
Clara estava na casa do suspeito quando foi atingida. Segundo a advogada Helena Belmont, a agressão ocorreu durante uma discussão, depois que a jovem comemorou a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A defensora afirma que Ferreira estava “transtornado” com a derrota de Flávio Bolsonaro (PL).
De acordo com a advogada, o próprio namorado telefonou à polícia por volta das 2h. A vítima foi levada ao hospital e operada para reconstituir a traqueia. O suspeito não prestou declarações, e a defesa dele não foi localizada até a publicação da reportagem.
Até agora, a motivação política é uma versão apresentada pela advogada. A polícia diz apenas que examina a hipótese.
Recuperação e família
Clara saiu da UTI nesta sexta-feira, 30, e está em um quarto da enfermaria. A mãe, Monária Maia, relata que a filha ainda terá de passar por outros procedimentos, não consegue falar e emite apenas sons. Os médicos recomendaram silêncio durante a recuperação.
Monária afirma que a família da jovem apoia Lula e que Ferreira participava de passeatas de Flávio Bolsonaro. Segundo ela, porém, o rapaz nunca teve comportamento agressivo sobre o tema na frente da filha. O namoro durava seis meses.
“Espero que ele pague tudo o que ele fez, que a justiça seja feita para minha filha”, disse a mãe.
Atuação da acusação
Helena Belmont pretende atuar como assistente de acusação para que o caso seja enquadrado como tentativa de feminicídio.
A advogada disse que vai pedir acompanhamento previsto na Lei Maria da Penha: “Buscarei apoio multidisciplinar garantido na Lei Maria da Penha para resguardá-la ao máximo. Tenho certeza que o MP vai denunciá-lo pelo feminicídio na forma tentada”.
Cabe ao Ministério Público decidir se apresentará denúncia. Até decisão judicial, o investigado tem presunção de inocência.
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