Josias Teófilo na Crusoé: O paradoxo do desenvolvimento brasileiro
Vale do Anhangabaú foi transformado numa espécie de lugar para shows, uma planície concretada e anódina
O brasileiro reclama muito, e com razão, do subdesenvolvimento, da precariedade, da falta de saneamento e da grande parte da população que não tem acesso a bens de consumo.
Mas existe um outro lado do desenvolvimento do nosso país. No Brasil, o crescimento econômico leva à destruição do patrimônio arquitetônico, à construção de conjuntos habitacionais que vão passar pelo processo de favelização, à realização de obras faraônicas por parte do Estado.
Não é à toa que a cidade que mais se desenvolveu no Brasil, São Paulo, foi também a que mais destruiu o patrimônio arquitetônico.
E a cidade que menos desenvolveu-se, permanecendo parada no tempo, foi a que mais pôde preservar o patrimônio arquitetônico — São Luís é a capital de estado mais preservada do país.
Até no âmbito regional isso acontece: o Recife virou a capital do estado de Pernambuco no século 17 e destruiu muito do seu patrimônio, já Olinda, que deixou de ser capital, permaneceu razoavelmente preservada até hoje.
Recentemente viralizaram em várias redes sociais comparativos entre cidades brasileiras no começo dos anos 2000 e agora. Casas históricas com quintais arborizados foram transformadas em caixotes coloridos, e sem nenhuma árvore, para abrir agências do Banco do Brasil ou farmácias, especialmente da Drogaria São Paulo.
Eu não entendo por que, no Brasil, agência de banco ou farmácia tem que destruir o prédio histórico que a abriga.
Na Europa, uma farmácia ocupa ou prédio ou casa normal, só é acrescentado um letreiro luminoso.
No Brasil, algum gênio definiu que o lugar tem que ser descaracterizado, as árvores e plantas destruídas, e tudo pintado na cor do estabelecimento.
Um lugar é transformado num não-lugar arquitetônico.
Uma vez que as agências estão sempre mudando de endereço, assim como as farmácias, existe um rastro de destruição que apaga os traços do passado nas nossas cidades.
E no Brasil não foi mantida a tradição de construir obras clássicas, como na Inglaterra.
No nosso país, está havendo um apagamento de tudo que remete ao passado em nome do desenvolvimento.
É assim desde pelo…
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