Izabela Patriota na Crusoé: O revisionismo do sufrágio feminino
Defender famílias fortes nunca exigiu defender mulheres silenciosas
As mulheres passaram séculos excluídas da arena política. Em 1893, a Nova Zelândia foi o primeiro país a reconhecer nacionalmente o direito ao voto feminino. No Brasil, esse direito só chegou em 1932.
Durante décadas, o sufrágio feminino foi tratado como uma conquista definitivamente incorporada às democracias liberais. Porém, o tema voltou a ser discutido em diversos países, inclusive no Brasil.
Influenciadores, homens e mulheres, passaram a defender que mulheres nunca deveriam ter votado ou que o voto deve pertencer à família, sendo exercido pelo homem.
O revisionismo do sufrágio feminino, assim como o formato do planeta Terra, seria apenas mais uma curiosidade da internet, não fosse um sintoma preocupante.
Existe uma passagem marcante em O Conto da Aia. Ao recordar o início do regime de Gilead, a narradora conta que, após um ataque terrorista, suspenderam a Constituição sob o argumento de que a medida seria temporária.
A partir dali, a perda das demais liberdades tornou-se apenas uma questão de tempo.
A passagem não é sobre terrorismo. É sobre a facilidade com que sociedades livres passam a aceitar a erosão gradual de direitos quando tudo parece apenas uma pequena concessão.
Toda liberdade inclui escolhas que outras pessoas talvez não fariam. Uma mulher pode decidir ser dona de casa, construir uma carreira, fazer as duas coisas ou nenhuma delas. O que uma sociedade livre protege é justamente…
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