Itamaraty se reúne com representante dos EUA para tratar de expulsão de delegado
Governo brasileiro cobra explicações e não descarta "reciprocidade"
Integrantes do Ministério das Relações Exteriores se reuniram nesta terça, 21, com a encarregada de Negócios da Embaixada dos Estados Unidos (EUA), Kimberly Kelly, para tratar da expulsão do delegado Marcelo Ivo, da Polícia Federal (PF), do território americano, segundo o Estadão.
Os representantes do governo brasileiro afirmaram que poderá haver reciprocidade na medida.
Em nota, a Embaixada dos Estados Unidos confirmou o encontro, mas declarou que não comenta “conversas diplomáticas privadas”.
Lula promete reciprocidade
O presidente Lula (PT) comentou a expulsão de Carvalho após a prisão do deputado cassado Alexandre Ramagem. O petista também falou em “reciprocidade”.
“Eu não sei o que aconteceu. Fui informado hoje de manhã. Acho que, se houve um abuso americano com relação ao nosso policial, nós vamos fazer a reciprocidade com os deles no Brasil.”
“Nós queremos que as coisas aconteçam da forma mais correta possível, mas nós não podemos aceitar essa ingerência e esse abuso de autoridade que algumas personagens americanas querem ter com relação ao Brasil”, reclamou o petista.
O ex-diretor da Abin de Jair Bolsonaro foi solto ainda na semana passada e, na segunda-feira, 20, o governo americano anunciou a solicitação para que um “funcionário brasileiro” deixe o país.
“Nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar tanto pedidos formais de extradição quanto prolongar caças às bruxas políticas em território dos EUA” reclamou o governo de Donald Trump.
ICE
O funcionário brasileiro citado pelo governo americano é o delegado da PF Marcelo Ivo de Carvalho, que atua como oficial de ligação com o Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE, na sigla em inglês), em Miami.
Carvalho exerce a função desde agosto de 2023.
Na última quinta-feira, a PF reuniu-se com as autoridades americanas para entender as condições da soltura de Ramagem, que foi preso pelo ICE.
Desde a prisão, aliados do ex-deputado acusaram autoridades brasileiras de tentarem usar o ICE para driblar o pedido de extradição de Ramagem, que foi condenado no julgamento da trama golpista.
PF
O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, chegou a atribuir a prisão de Ramagem nos Estados Unidos a uma parceria entre as polícias brasileira e americana, o que indicava que o ex-diretor da Abin seria encaminhado ao Brasil, mas Ramagem segue com seu processo de asilo político.
O bolsonarista debochou de Andrei após o anúncio da expulsão do policial brasileiro que teria atado para a sua prisão: “Aguardando a manifestação pública cooperativa do diretor-geral da PF, Andrei “single malt Macallan” Rodrigues…”.
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