Isolado, Flávio vê aliados adiarem decisão sobre apoio
União Progressista optou pela neutralidade, Republicanos segue dividido e Podemos ainda evita assumir compromisso com a candidatura do PL
A menos de duas semanas do fim do prazo para a definição das chapas, Flávio Bolsonaro (PL) ainda não conseguiu montar a coalizão que pretendia para disputar a Presidência da República. O senador chega à convenção do partido, marcada para este sábado, 25, sem candidato a vice e vendo potenciais aliados resistirem a um compromisso nacional com o PL.
O principal revés veio na última quarta-feira, 22, quando o presidente do PP, Ciro Nogueira, comunicou a Flávio que a federação União Progressista, formada por PP e União Brasil, permanecerá neutra na disputa pelo Palácio do Planalto. A decisão enterrou a principal aposta do PL para ampliar sua aliança e usar a vaga de vice como moeda de negociação.
Embora a justificativa oficial seja preservar a autonomia dos diretórios estaduais, segundo apurou a redação de O Antagonista em contato com parlamentares sob regime de sigilo, integrantes da campanha avaliam que o ambiente político ficou mais desfavorável nas últimas semanas. O desgaste provocado pelas revelações envolvendo o Banco Master e o financiamento do filme Dark Horse aumentou a cautela de partidos de centro, ainda que dirigentes da União Progressista neguem relação entre os episódios.
Sem a federação, o PL concentrou esforços no Republicanos e no Podemos. As negociações, porém, também avançam lentamente.
No Republicanos, o partido permanece dividido entre uma ala favorável à composição com Flávio e outra que defende repetir a estratégia da União Progressista: neutralidade nacional e liberdade para que os diretórios estaduais construam suas próprias alianças. Nos bastidores, a ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques chegou a ser cogitada para a Vice-Presidência, mas sua eventual indicação nunca foi discutida formalmente pela direção da legenda e tampouco garantiria apoio institucional ao PL.
O Podemos também evita antecipar uma decisão. Dirigentes da legenda mantêm conversas com o PL, mas preferem aguardar a definição do cenário eleitoral antes de assumir qualquer compromisso com a candidatura de Flávio.
A dificuldade para fechar alianças deixa o senador diante de um cenário bem diferente do planejado no início da pré-campanha. A estratégia era chegar às convenções com uma chapa fortalecida por um partido de centro e ampliar o tempo de televisão e a capilaridade da campanha nos estados. Até agora, porém, o PL não conseguiu transformar a vaga de vice em instrumento de atração de aliados e entra na reta final das convenções mais isolado do que esperava.
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