“Imprevisibilidade e insegurança”, diz Alckmin sobre tarifaço
Vice-presidente descartou entrar em "guerra tarifária" com os Estados Unidos
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, afirmou que a decisão dos Estados Unidos aplicar tarifas recíprocas generalizadas sobre produtos que entram no território americano “cria imprevisibilidade” e “insegurança” ao Brasil.
“Nós entendemos que o comércio exterior é importantíssimo. Ele gera emprego, estimula inovação, traz competitividade. Entendemos que a decisão unilateral dos EUA não é boa para o comércio, porque cria imprevisibilidade, insegurança e isso diminui investimento”, disse.
Alckmin, contudo, descartou a hipótese de confrontar a medida estabelecida pelo governo Trump, pois, segundo ele, “ninguém ganha em uma guerra tarifária”.
“O Brasil não é problema para os EUA. Agora, é um mercado importante para nós”, comentou.
“Medidas cabíveis”
O presidente Lula (PT) adotou um tom mais elevado contra as tarifas adicionais de 10% anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Segundo o petista, o governo tomará “todas as medidas cabíveis para defender as empresas e os trabalhadores brasileiros”.
“Diante da decisão dos Estados Unidos, tomaremos todas as medidas cabíveis para defender nossas empresas e os trabalhadores brasileiros. Temos como referência a lei da reciprocidade econômica, aprovada ontem pelo Congresso Nacional e as diretrizes da Organização Mundial do Comércio”, afirmou.
Leia mais: “Tomaremos “medidas cabíveis”, diz Lula sobre ‘tarifaço’ de Trump”
PL da Reciprocidade
Na Câmara dos Deputados, os parlamentares aprovaram na quarta-feira, 2, o projeto de lei que prevê medidas de resposta a barreiras comerciais impostas por outros países a produtos brasileiros, que já havia passado no Senado.
O chamado PL da Reciprocidade indica medidas protecionistas que podem ocasionar contramedidas do governo brasileiro.
O texto vem como uma resposta às taxas impostas pelo governo de Donald Trump a produtos importados.
Em 12 de março, entrou em vigor a imposição de tarifa de 25% às importações americanas de aço e alumínio, o que atinge o Brasil. Além disso, Trump anunciou novas tarifas para produtos importados pelos americanos do Brasil e de outros países.
Entre as medidas protecionistas que o projeto de lei elenca, estão interferência em escolhas soberanas do Brasil por meio de adoção de medidas comerciais unilaterais; violação de acordos comerciais; e exigência de requisitos ambientais mais onerosos do que os parâmetros, normas e padrões de proteção ambiental adotados pelo Brasil.
Já entre as contramedidas que o texto autoriza o Executivo a adotar, estão imposição de tributos sobre importações de bens ou serviços de um país, a suspensão de concessões comerciais ou de investimentos e a suspensão de concessões relativas a direitos de propriedade intelectual.
Aprovado pelo Congresso, o projeto de lei segue para a sanção do presidente Lula.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)