Haddad sinaliza que pode ampliar bloqueio no orçamento
O recuo parcial na alta do IOF, motivado por pressões do mercado financeiro, reduziu a estimativa de arrecadação para 2025
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (foto), afirmou nesta sexta-feira, 23, que o governo poderá ampliar o contingenciamento de gastos na próxima semana, após rever parte da medida que aumentava o IOF. O recuo, motivado por pressões do mercado financeiro, reduziu em R$ 2 bilhões a estimativa de arrecadação para 2025.
A mudança foi feita menos de 24 horas após o governo anunciar um decreto que aumentaria para 3,5% a alíquota do IOF sobre aplicações de fundos nacionais no exterior e remessas para investimento. Com a revisão, a alíquota foi mantida em 0% para aplicações externas e fixada em 1,1% para remessas.
“Podemos ampliar o contingenciamento, fazer algum ajuste nessa faixa. O importante é que foi revisto e temos uma semana para enviar o decreto”, disse Haddad.
Na véspera, a Fazenda já havia congelado R$ 31,3 bilhões em despesas previstas para o próximo ano.
O recuo veio após forte reação do mercado financeiro. A medida poderia ser interpretada como um controle informal de capitais e sinalizava uma tentativa de frear a saída de dólares do país.
“Recebemos, depois do anúncio, muitos subsídios de operadores do mercado apontando que aquilo poderia passar uma mensagem indesejada. Valia a pena rever”, afirmou o ministro.
Ele classificou o recuo como uma “correção de rota” e disse que a medida era “residual” dentro do conjunto de ações fiscais do governo.
O novo decreto, corrigindo as alíquotas, foi publicado em edição extra do Diário Oficial da União ainda na madrugada de sexta-feira, antes da abertura dos mercados.
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