Haddad se reúne com Motta e Alcolumbre para discutir aumento do IOF
Decreto do governo sofre forte resistência no Congresso, com frentes parlamentares pressionando Motta a pautar anulação
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, vai se reunir na noite desta quarta-feira, 28, com os presidente da Câmara do Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para discutir sobre o decreto do governo que aumenta alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).
O encontro está marcado para 20h, na residência oficial da Presidência do Senado, em Brasília. Será fechado à imprensa e não está prevista declaração dos participantes.
O decreto sofre forte resistência no Congresso. Frentes parlamentares pressionam Motta a pautar um projeto do líder da oposição, Luciano Zucco (PL-RS), que anula o texto. Na Casa Alta, projetos similares foram protocolados.
O líder da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado federal Pedro Lupion (PP-PR), disse nesta quarta-feira que já há votos suficientes para o Congresso aprovar o projeto de Zucco. A declaração foi feita durante coletiva de imprensa da Coalização de Frentes Parlamentares do Setor Produtivo, da qual a FPA faz parte.
“Mais uma vez o governo erra, com a sua sana arrecadatória, com a vontade de sempre arrecadar para pagar as suas contas mal feitas e o seu gasto exacerbado. O governo toma para si uma responsabilidade de fazer quem produz, quem gera emprego, quem gera renda e quem paga a conta nesse país ter que pagar ainda mais”, declarou Lupion, se referindo ao decreto.
Segundo ele, todos os setores da economia serão afetados pelo texto. “Esperamos que minimamente o Ministério da Fazenda repense sobre essa medida. A Coalização de Frentes Parlamentares aqui demonstra que temos os votos necessários para aprovar o projeto de decreto legislativo do deputado Zucco e revogar esse decreto que trata do aumento do IOF“, pontuou.
“Se não for por bem, será por mal. Se o governo não refluir, votaremos, faremos a pressão necessária para que seja pautado, para que coloquemos os nossos votos e mostremos que o Congresso, legítima representação do povo brasileiro, não aceita mais esse ataque a quem produz e quem emprega nesse país“.
Recado de Motta
Na última segunda-feira, 26, Motta mandou um recado público contundente ao presidente Lula (PT).
“Bom dia e boa semana! Lembrando o que disse logo que assumi: o Estado não gera riqueza – consome. E quem paga essa conta é a sociedade”, escreveu em seu perfil no X.
“A Câmara tem sido parceira do Brasil ajudando a aprovar os bons projetos que chegam do Executivo e assim continuaremos. Mas quem gasta mais do que arrecada não é vítima, é autor”, seguiu o presidente da Câmara na mensagem.
A equipe econômica do governo anunciou aumento nas alíquotas do IOF na última quinta-feira, 22, e voltou atrás de parte do decreto horas depois, após alertas sobre as consequências da medida para investimentos de brasileiros em fundos no exterior.
“O Executivo não pode gastar sem freio e depois passar o volante para o Congresso segurar. O Brasil não precisa de mais imposto. Precisa de menos desperdício. Vamos trabalhar sempre em harmonia e em defesa dos interesses do país”, finalizou Motta.
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